quarta-feira, 8 de abril de 2009

design nos arquivos da revista veja



ontem recebi uma informação, que já não é tão nova assim, sobre o acervo online da revista veja, que está no ar completo, desde o número um publicado em setembro de 1968. o site que dá acesso à esse incrível acervo foi lançado pela editora abril em dezembro de 2008, e merece uma visita (ou melhor: muitas visitas!).

dentre as muitas coisas que lá se pode pescar, selecionei três notícias sobre design (retiradas das edições cujas capas aparecem acima), que em tempos de tanto planejamento de eventos e políticas de design, vale a pena ver de novo...

o artigo "o desenho é tudo" diz respeito à primeira (primeira mesmo, diferente de todas as outras primeiras que vieram depois) bienal de desenho industrial, que aconteceu no museu de arte moderna do rio de janeiro em 1968. no texto o design é definido como a "ciência do planejamento ou da criação de objetos fabricados em série através da interação forma/função". muita gente gostaria de acrescentar outros tantos aspectos nesta interação, mas será que a simplicidade da dialética entre forma e função não pode ser entendida como suficientemente inclusiva? aspectos ergonômicos, sensoriais, mercadológicos, simbólicos, não podem ser enxergados na síntese forma/função?

o segundo, "beleza vende bem", que fala da abertura da segunda bienal de desenho industrial, em 1970, começa ácido e corrosivo: "o bom produto industrial pode vender melhor se for apresentado de forma racional? para 90% dos industriais brasileiros, não. segundo eles, o desenho industrial – a apresentação que alia de forma ideal beleza e funcionalidade – não tem importância." demorou bastante, mas parece que essa situação está mudando, não é mesmo? ou não?

por último, "um padrão estrangeiro", matéria publicada em 1979, quando do lançamento do núcleo de desenho industrial da ciesp, o centro das indústrias do estado de são paulo. a matéria, que descreve a exposição de obras da coleção de design do moma, destaca em box os talheres de camping desenhados por bornancini e petzold para a hércules. e termina anunciando uma exposição que eu produzi com alguns colegas no meu primeiro ano da esdi, reunindo trabalhos também do curso de desenho industrial da ufrj: "da natureza ao produto".

essa exposição, que em janeiro de 1980 foi remontada no parque laje, junto com outros trabalhos dos estudantes da puc-rj e chamando-se "da natureza ao produto - do produto à natureza", hoje seria classificada dentro da categoria "design sustentável". e foi também minha primeira ação política na área do design, visando integrar as ações das três escolas existentes na cidade nos anos setenta, e chamar atenção para questões que começavam a entrar na pauta mundial de discussões: a ecologia, os problemas relacionados ao meio ambiente, a necessidade de dar suporte às atividades de pequenos agricultores. tudo isso com o apoio de dois mestres que mobilizavam os estudantes pelas causas sociais do design: roberto verschleisser e josé luiz ripper.

(assim que eu localizar o convite, cartaz e mais informações sobre esta exposição vou complementar esse post.)

3 comentários:

Schoenacher disse...

Professor, talvez esteja na hora da Veja voltar a fazer alguma matéria sobre design, principalmente nessa fase pródiga pela qual estamos passando.

Além disso é muito bacana ver a Veja aderindo à idéia de disponibilizar seu conteúdo antigo online.

Rodrigo
http://garatujadigital.blogspot.com

billy bacon disse...

parabens pela edicao, gabriel!!!...
analizar a evolucao do país pela perspectiva de como o design é encarado no seu tempo, ajuda a entender a nossa realidade...

gabriel patrocínio disse...

pois é, billy, a perspectiva histórica é fascinante...

você viu a frase do delfim neto em 72, em pleno "milagre brasileiro": "quando alguém tiver que produzir um televisor parecendo uma maçã, terá que olhar o pessoal do desenho industrial"?

make-up design, reis do cosmético. chama o designer que ele faz! função? ora, a forma é que vende! qualidade? a obsolescência programa a próxima venda. e tome lixo industrial em todos os sentidos. a falta de concorrência externa ajuda a empurrar a produção para o imenso mercado interno, sem qualidade e com preços inflacionados por impostos abusivos.

realmente, nada como a perspectiva histórica para perceber os erros do passado e seus reflexos no presente...