a faperj, em conjunto com a firjan e o sebrae/rj, acaba de lançar edital de 2,7 milhões de reais para apoiar o desenvolvimento de design de produto e embalagens. é uma iniciativa que acredito ser inédita, que vem se somar aos esforços promovidos pelo estado do rio de janeiro para consolidar de uma cultura regional de design criativa e inovadora.
o estado tem uma capacidade instalada única de ensino e pesquisa, aliados a um mercado profissional altamente qualificado. no entanto, necessita ainda de melhor interagir com o interior, que tem um rico potencial a ser explorado com a contribuição do design.
são dez escolas de graduação; dois mestrados e um doutorado; laboratórios de pesquisa em design instalados na esdi e na puc; um extraordinariamente bem aparelhado laboratório da divisão de desenho industrial do int; o centro design rio e o centro carioca de design; e ainda os resultados cada vez melhores apresentados pelo setor profissional.
tudo isso, aliado ao desenvolvimento econômico (e social) do estado, nos permitem ter uma visão otimista neste final de ano.
que continue melhorando mais em 2011!
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
sábado, 11 de dezembro de 2010
políticas de design - entrevista ao garatuja digital
há poucas semanas, o rodrigo schoenacher me perguntou se eu poderia responder a algumas perguntas para o seu - excelente - blog garatuja digital. "apenas três perguntas" - disse ele - mas que me deram a oportunidade de discorrer um bocado, ainda que superficialmente, sobre o assunto que tenho pesquisado tanto no meu doutorado. com a autorização do rodrigo, reproduzo abaixo o conteúdo dessa entrevista:
1) você tem um blog chamado "políticas de design". poderia explicar um pouco mais o que significa o termo "políticas de design"?
na minha pesquisa me refiro a "políticas de design", ou melhor, "políticas públicas de design" como sendo princípios estabelecidos pelo governo para fazer uso do design como ferramenta estratégica de desenvolvimento social, econômico, industrial e regional. estas políticas são geralmente pública e explicitamente estabelecidas, para que possam ser conhecidas e acompanhadas na sua implementacão.
2) como você vê a atual situação das políticas relacionadas ao design no brasil em comparação a outros países?
o brasil tem uma aproximação recente e ainda esparsa nesta área. não temos, como alguns países, uma "política nacional de design", nem tampouco uma entidade articuladora de políticas públicas nos moldes do design council britânico ou do kidp da coréia do sul. ambos atuam com suporte direto do governo, e desenvolvem projetos, programas e ações de interesse do governo e da sociedade. ambos contam com equipes especializadas e bem montadas, parcerias com universidades, associações profissionais e empresas. o design council foi criado pelo governo do reino unido ainda durante a segunda guerra, em 1944, para promover o desenvolvimento da indústria britânica e impulsionar a economia quando acabasse a guerra. mas iniciativas neste sentido já se manifestavam desde o século dezenove, com as grandes feiras mundiais - especialmente a partir da exposição internacional de londres, em 1851. e organizações profissionais de designers surgiram no reino unido, nos estados unidos e em outros países ainda nas primeiras décadas do século vinte. assim, mesmo com golpes como a recente crise econômica, que fez com que o governo britânico cortasse o aporte direto de recursos para o design council (anunciado agora em outubro), este ainda consegue se articular para manter-se atuante e encontrar recursos para sobreviver.
no brasil, podemos falar de intenções pioneiras desde o final do século dezenove. no entanto foi nos anos cinquenta, nos estados de são paulo e rio de janeiro que foram feitas as primeiras iniciativas de trazer o design como era visto então na europa, através de cursos livres e workshops com designers de renome internacional. e no início dos anos sessenta o governo do recém criado estado da guanabara inaugurava a esdi, trazendo o design para dentro da universidade e pretendendo formar adequadamente os profissionais necessários para alavancar a indústria nacional. podemos falar que hoje temos na escala federal inserções ainda pequenas mas significativas no ministério do desenvolvimento - o programa brasileiro de design, e no ministério da cultura. e ainda alguns estados tem estabelecido mecanismos de colaboração continuada, como é o caso do grupo consultivo de design que assessora o governo do estado do rio de janeiro desde 2007, através da secretaria de desenvolvimento. a colaboração do segmento de design com o governo do rj já havia gerado, desde o início da década, o programa rio faz design, com exposições, premiação e outros pequenos eventos. o estado do paraná tem também oferecido suporte ao design, com o centro de design paraná, o mais ativo do país, e que tem oferecido apoio estratégico ao programa brasileiro de design.
ainda temos muito espaço para crescer, portanto, apesar de algumas importantes iniciativas estarem se sedimentando nos últimos anos. a bienal brasileira de design e a brazil design week são exemplos disso, e a iniciativa do fórum brasil design (reunindo todas as associações profissionais e acadêmicas brasileiras), trazem contribuições fundamentais. A bienal de design gráfico da adg e o salão design movelsul / casa brasil, em bento gonçalves, são iniciativas que já alcançam maturidade e projeção internacional, mostrando para a sociedade a importância do bom design. e temos um mercado editorial crescente, editando bons livros e boas revistas, apoiado na grande quantidade de escolas de design e profissionais atuantes. muitas outras iniciativas contribuem para promover o design no país, embora muitas vezes de forma cíclica e desconexa. mas falta ainda esse elemento articulador, que possa circular entre as iniciativas de origens variadas, formatando, planejando, estabelecendo equilíbrio e fazendo a ligação com as diversas instâncias de governo e da sociedade. e mecanismos de avaliação e controle de qualidade, pois o design desprovido de qualidade pode ser extremamente prejudicial. falo de qualidade no contexto internacional, num patamar que permita e facilite trocas comerciais, profissionais e acadêmicas. desprezar a qualidade pode significar hoje ficar exposto à exploração do mercado local por grandes empresas internacionais de design, por exemplo. e essa qualidade passa inevitavelmente pela formação. nossas escolas precisam se aperfeiçoar bastante para alcançar esse patamar. não adianta ficarmos iludidos que a criatividade brasileira supera tudo - ela é um elemento forte com o qual contamos, mas está longe de ser a solução única.
poderia dizer muito mais sobre o momento atual, que eu vejo como muito positivo, e sobre o futuro que acredito ser promissor, mas como esse é um dos tópicos da minha pesquisa, posso dizer que responderei melhor daqui a dois anos, em 40.000 palavras...
3) o que você acha que os profissionais e estudantes em design podem fazer em relação ao desenvolvimento dessas políticas em nosso país?
em primeiro lugar, se organizar de forma consistente nas associações existentes. se não dermos suporte às associações, não poderemos cobrar que a nossa atividade seja melhor reconhecida. e por falar em reconhecimento, a regulamentação profissional é, no contexto atual, uma necessidade. não dá para se acreditar que, no mar agitado das profissões regulamentadas, iremos sobreviver com um projeto inovador de desregulamentação. chega uma hora em que precisamos, apesar das opiniões diferentes, demonstrar união - senão nunca seremos considerados seriamente. dar suporte às associações significa filiar-se, pagar as taxas regularmente, e contribuir voluntariamente na gestão e nas atividades da sua associação. associações sem associados são cronicamente fracas. e cobrar das escolas uma melhora contínua na qualidade da formação profissional, inclusive a formação continuada, seja esta através de cursos rápidos, especializações, mestrados profissionalizantes. isso deve ser feito em sintonia com as necessidades do mercado regional e buscando apoio de empresas, federações comerciais e industriais, e do governo. se fizermos a nossa parte, poderemos cobrar do governo que faça melhor a parte dele também.
1) você tem um blog chamado "políticas de design". poderia explicar um pouco mais o que significa o termo "políticas de design"?
na minha pesquisa me refiro a "políticas de design", ou melhor, "políticas públicas de design" como sendo princípios estabelecidos pelo governo para fazer uso do design como ferramenta estratégica de desenvolvimento social, econômico, industrial e regional. estas políticas são geralmente pública e explicitamente estabelecidas, para que possam ser conhecidas e acompanhadas na sua implementacão.
2) como você vê a atual situação das políticas relacionadas ao design no brasil em comparação a outros países?
o brasil tem uma aproximação recente e ainda esparsa nesta área. não temos, como alguns países, uma "política nacional de design", nem tampouco uma entidade articuladora de políticas públicas nos moldes do design council britânico ou do kidp da coréia do sul. ambos atuam com suporte direto do governo, e desenvolvem projetos, programas e ações de interesse do governo e da sociedade. ambos contam com equipes especializadas e bem montadas, parcerias com universidades, associações profissionais e empresas. o design council foi criado pelo governo do reino unido ainda durante a segunda guerra, em 1944, para promover o desenvolvimento da indústria britânica e impulsionar a economia quando acabasse a guerra. mas iniciativas neste sentido já se manifestavam desde o século dezenove, com as grandes feiras mundiais - especialmente a partir da exposição internacional de londres, em 1851. e organizações profissionais de designers surgiram no reino unido, nos estados unidos e em outros países ainda nas primeiras décadas do século vinte. assim, mesmo com golpes como a recente crise econômica, que fez com que o governo britânico cortasse o aporte direto de recursos para o design council (anunciado agora em outubro), este ainda consegue se articular para manter-se atuante e encontrar recursos para sobreviver.
no brasil, podemos falar de intenções pioneiras desde o final do século dezenove. no entanto foi nos anos cinquenta, nos estados de são paulo e rio de janeiro que foram feitas as primeiras iniciativas de trazer o design como era visto então na europa, através de cursos livres e workshops com designers de renome internacional. e no início dos anos sessenta o governo do recém criado estado da guanabara inaugurava a esdi, trazendo o design para dentro da universidade e pretendendo formar adequadamente os profissionais necessários para alavancar a indústria nacional. podemos falar que hoje temos na escala federal inserções ainda pequenas mas significativas no ministério do desenvolvimento - o programa brasileiro de design, e no ministério da cultura. e ainda alguns estados tem estabelecido mecanismos de colaboração continuada, como é o caso do grupo consultivo de design que assessora o governo do estado do rio de janeiro desde 2007, através da secretaria de desenvolvimento. a colaboração do segmento de design com o governo do rj já havia gerado, desde o início da década, o programa rio faz design, com exposições, premiação e outros pequenos eventos. o estado do paraná tem também oferecido suporte ao design, com o centro de design paraná, o mais ativo do país, e que tem oferecido apoio estratégico ao programa brasileiro de design.
ainda temos muito espaço para crescer, portanto, apesar de algumas importantes iniciativas estarem se sedimentando nos últimos anos. a bienal brasileira de design e a brazil design week são exemplos disso, e a iniciativa do fórum brasil design (reunindo todas as associações profissionais e acadêmicas brasileiras), trazem contribuições fundamentais. A bienal de design gráfico da adg e o salão design movelsul / casa brasil, em bento gonçalves, são iniciativas que já alcançam maturidade e projeção internacional, mostrando para a sociedade a importância do bom design. e temos um mercado editorial crescente, editando bons livros e boas revistas, apoiado na grande quantidade de escolas de design e profissionais atuantes. muitas outras iniciativas contribuem para promover o design no país, embora muitas vezes de forma cíclica e desconexa. mas falta ainda esse elemento articulador, que possa circular entre as iniciativas de origens variadas, formatando, planejando, estabelecendo equilíbrio e fazendo a ligação com as diversas instâncias de governo e da sociedade. e mecanismos de avaliação e controle de qualidade, pois o design desprovido de qualidade pode ser extremamente prejudicial. falo de qualidade no contexto internacional, num patamar que permita e facilite trocas comerciais, profissionais e acadêmicas. desprezar a qualidade pode significar hoje ficar exposto à exploração do mercado local por grandes empresas internacionais de design, por exemplo. e essa qualidade passa inevitavelmente pela formação. nossas escolas precisam se aperfeiçoar bastante para alcançar esse patamar. não adianta ficarmos iludidos que a criatividade brasileira supera tudo - ela é um elemento forte com o qual contamos, mas está longe de ser a solução única.
poderia dizer muito mais sobre o momento atual, que eu vejo como muito positivo, e sobre o futuro que acredito ser promissor, mas como esse é um dos tópicos da minha pesquisa, posso dizer que responderei melhor daqui a dois anos, em 40.000 palavras...
3) o que você acha que os profissionais e estudantes em design podem fazer em relação ao desenvolvimento dessas políticas em nosso país?
em primeiro lugar, se organizar de forma consistente nas associações existentes. se não dermos suporte às associações, não poderemos cobrar que a nossa atividade seja melhor reconhecida. e por falar em reconhecimento, a regulamentação profissional é, no contexto atual, uma necessidade. não dá para se acreditar que, no mar agitado das profissões regulamentadas, iremos sobreviver com um projeto inovador de desregulamentação. chega uma hora em que precisamos, apesar das opiniões diferentes, demonstrar união - senão nunca seremos considerados seriamente. dar suporte às associações significa filiar-se, pagar as taxas regularmente, e contribuir voluntariamente na gestão e nas atividades da sua associação. associações sem associados são cronicamente fracas. e cobrar das escolas uma melhora contínua na qualidade da formação profissional, inclusive a formação continuada, seja esta através de cursos rápidos, especializações, mestrados profissionalizantes. isso deve ser feito em sintonia com as necessidades do mercado regional e buscando apoio de empresas, federações comerciais e industriais, e do governo. se fizermos a nossa parte, poderemos cobrar do governo que faça melhor a parte dele também.
marcadores:
ensino,
regulamentação
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
sobre biônica & design sustentável
no ano passado eu havia prometido postar aqui reproduções dos cartazes e convites de duas exposições que ajudei a organizar em dezembro de 1979 e janeiro de 1980, respectivamente. pois bem, finalmente achei esse material e processei as imagens (ver post de 08.04.2009 aqui). mas achei que devia fazer um post novo sobre isso, afinal o tema é atualíssimo, e é curioso ver o que se falava sobre isso há 30 anos.

a primeira exposição (acima), anunciada pela revista veja em dezembro de 1979, reunia trabalhos dos cursos de desenho industrial da esdi e da escola de belas artes da ufrj. os cartazes e convites já davam o tom: impressos em papel kraft na gráfica da esdi, usando composição tipográfica em tipos móveis e uma ilustração de uma "máquina voadora" que fazia referência a leonardo da vinci, de quem reproduziam a citação: "o pássaro é um instrumento que obedece a uma lei matemática, e o homem possui a capacidade de reproduzir esse instrumento e seus movimentos". a segunda exposição (abaixo) aconteceu na escola de artes visuais do parque lage, e foi a continuação da primeira, agora com a adesão de trabalhos do curso de design da puc-rio. talvez o clima do parque lage (aonde eu estagiava na época) tenha influenciado cartaz e convite, bem mais "radicais" do que os da exposição na esdi. enquanto os primeiros refletiam a racionalidade gráfica esdiana (ainda que interpretada por estudantes de primeiro ano...), os outros, manuscritos e rabiscados e serigrafia e xerox, continham textos de pablo neruda (última estrofe de aqui vivimos - estravagario) e lao-tsé (poema 11 do tao te ching) e uma estética "suja" identificada com a contracultura da época.
infelizmente eu não tenho registro dos projetos apresentados, exceto por umas raras imagens de uma gravação da tve (e do livro esdi: biografia de uma idéia), aonde fui entrevistado sobre dois trabalhos na mostra (fotos abaixo). mas estes dois projetos são bastante representativos da mostra e do que fazíamos e pensávamos naquela época. ambos os projetos foram desenvolvidos na esdi com orientação do professor roberto verschleisser, e dos grupos faziam parte claudio lamas, gil brito e carlos vargas (infelizmente não me lembro se havia mais alguém nos grupos de trabalho)


biônica & biomimética
o primeiro era um estudo de conector metálico baseado na articulação rotular da cabeça do fêmur. biônica pura, seguindo os ensinamentos transmitidos com paixão pelo professor verschleisser, que nos apresentou victor papanek, buckminster fuller, gui bonsiepe e tantos outros autores que fizeram nossa cabeça e ajudam, até hoje, a fundamentar nosso pensamento. aprender com a natureza, observar, estudar e desenvolver conceitos a partir de similares naturais entusiasmou a todos.

a primeira exposição (acima), anunciada pela revista veja em dezembro de 1979, reunia trabalhos dos cursos de desenho industrial da esdi e da escola de belas artes da ufrj. os cartazes e convites já davam o tom: impressos em papel kraft na gráfica da esdi, usando composição tipográfica em tipos móveis e uma ilustração de uma "máquina voadora" que fazia referência a leonardo da vinci, de quem reproduziam a citação: "o pássaro é um instrumento que obedece a uma lei matemática, e o homem possui a capacidade de reproduzir esse instrumento e seus movimentos". a segunda exposição (abaixo) aconteceu na escola de artes visuais do parque lage, e foi a continuação da primeira, agora com a adesão de trabalhos do curso de design da puc-rio. talvez o clima do parque lage (aonde eu estagiava na época) tenha influenciado cartaz e convite, bem mais "radicais" do que os da exposição na esdi. enquanto os primeiros refletiam a racionalidade gráfica esdiana (ainda que interpretada por estudantes de primeiro ano...), os outros, manuscritos e rabiscados e serigrafia e xerox, continham textos de pablo neruda (última estrofe de aqui vivimos - estravagario) e lao-tsé (poema 11 do tao te ching) e uma estética "suja" identificada com a contracultura da época.
infelizmente eu não tenho registro dos projetos apresentados, exceto por umas raras imagens de uma gravação da tve (e do livro esdi: biografia de uma idéia), aonde fui entrevistado sobre dois trabalhos na mostra (fotos abaixo). mas estes dois projetos são bastante representativos da mostra e do que fazíamos e pensávamos naquela época. ambos os projetos foram desenvolvidos na esdi com orientação do professor roberto verschleisser, e dos grupos faziam parte claudio lamas, gil brito e carlos vargas (infelizmente não me lembro se havia mais alguém nos grupos de trabalho)


biônica & biomimética
o primeiro era um estudo de conector metálico baseado na articulação rotular da cabeça do fêmur. biônica pura, seguindo os ensinamentos transmitidos com paixão pelo professor verschleisser, que nos apresentou victor papanek, buckminster fuller, gui bonsiepe e tantos outros autores que fizeram nossa cabeça e ajudam, até hoje, a fundamentar nosso pensamento. aprender com a natureza, observar, estudar e desenvolver conceitos a partir de similares naturais entusiasmou a todos.
há poucos dias li um post do fred gelli no blog da tátil design sobre biomimética - e lá estava todo o entusiasmo que ele (que também foi aluno do verschleisser) mantém sobre o assunto até hoje, inspirando criações premiadas do seu estúdio. vale conferir o trabalho da janine benyus citado pelo fred gelli, e seu livro biomimicry: innovation inspired by nature.

design sustentável: papanek x bonsiepe
o outro projeto, um silo octaédrico em lona plástica, suspenso numa estrutura tubular também octaédrica, que se apresentava como solução para armazenagem temporária de colheitas em áreas parcialmente alagadas.
este tipo de projeto encaixava-se no que gui bonsiepe (autor ávidamente consumido e adorado por nós, então jovens estudantes) definia como tecnologia apropriada, opondo-se ao conceito de tecnologia alternativa, apresentado por victor papanek no seu livro design para o mundo real (nosso livro de cabeceira). bonsiepe acreditava que os países em desenvolvimento deviam utilizar tecnologias que pudessem dominar facilmente, e passando sucessivamente a tecnologias mais sofisticadas. assim ele defendia a adoção incremental de novos conhecimentos, estimulando o desenvolvimento científico e industrial desses países. seu livro teoría y practica del diseño industrial dedica um capítulo a essa discussão: política tecnológica, diseño industrial y modelos de desarollo.
por sua vez, papanek defendia a recuperação de conhecimento local e soluções alternativas às tecnologias correntes, enfatizando a reciclagem e reprocessamento de materiais. a longo prazo, acredito que a visão de papanek manteria ou até mesmo aumentaria a distância entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando estes últimos mais dependentes de tudo que dissesse respeito à novas tecnologias, mantendo um processo estacionário de reprocessamento semi-artesanal do descarte industrial. me lembro que em 1980 todos fomos assistir victor papanek num seminário na puc-rio, e saímos um bocado decepcionados com sua visão que então percebemos paternalista e sua tentativa de afastamento das questões políticas que envolviam a américa do sul naquele período. isso não impede que seu último livro, publicado originalmente em 1995 - the green imperative - tenha se tornado referência para o pensamento do design sustentável.

design sustentável: papanek x bonsiepe
o outro projeto, um silo octaédrico em lona plástica, suspenso numa estrutura tubular também octaédrica, que se apresentava como solução para armazenagem temporária de colheitas em áreas parcialmente alagadas.
este tipo de projeto encaixava-se no que gui bonsiepe (autor ávidamente consumido e adorado por nós, então jovens estudantes) definia como tecnologia apropriada, opondo-se ao conceito de tecnologia alternativa, apresentado por victor papanek no seu livro design para o mundo real (nosso livro de cabeceira). bonsiepe acreditava que os países em desenvolvimento deviam utilizar tecnologias que pudessem dominar facilmente, e passando sucessivamente a tecnologias mais sofisticadas. assim ele defendia a adoção incremental de novos conhecimentos, estimulando o desenvolvimento científico e industrial desses países. seu livro teoría y practica del diseño industrial dedica um capítulo a essa discussão: política tecnológica, diseño industrial y modelos de desarollo.
por sua vez, papanek defendia a recuperação de conhecimento local e soluções alternativas às tecnologias correntes, enfatizando a reciclagem e reprocessamento de materiais. a longo prazo, acredito que a visão de papanek manteria ou até mesmo aumentaria a distância entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando estes últimos mais dependentes de tudo que dissesse respeito à novas tecnologias, mantendo um processo estacionário de reprocessamento semi-artesanal do descarte industrial. me lembro que em 1980 todos fomos assistir victor papanek num seminário na puc-rio, e saímos um bocado decepcionados com sua visão que então percebemos paternalista e sua tentativa de afastamento das questões políticas que envolviam a américa do sul naquele período. isso não impede que seu último livro, publicado originalmente em 1995 - the green imperative - tenha se tornado referência para o pensamento do design sustentável.
esta semana eu assistia um programa na bbc 2 (big ideas, com james may) aonde o apresentador, em uma viagem aos estados unidos para visitar experimentos de geração de energia não-fóssil, chega a uma comunidade alternativa estabelecida nos anos setenta. ali, um dos idealizadores explica que a idéia não é rejeitar novas tecnologias, nem o conforto moderno. a sua casa alternativa tem geladeira, microondas, internet e rede wi-fi. a questão é a auto-suficiência energética, tratamento de afluentes, aproveitamento racional e conservação de água, reciclagem, etc. um equilíbrio entre o apropriado e o alternativo, que sobrevive a mais de trinta anos de experimentação.
por último, já que falei do bonsiepe, a bedford press acaba de lançar um livrinho com suas reflexões sobre o potencial de atuação política do design: design and democracy. leitura obrigatória!
por último, já que falei do bonsiepe, a bedford press acaba de lançar um livrinho com suas reflexões sobre o potencial de atuação política do design: design and democracy. leitura obrigatória!
terça-feira, 13 de abril de 2010
se design é importante, cadê o design?

o cgee comitê gestor de estudos estratégicos acaba de divulgar (*) na edição de abril de 2010 do seu boletim, o lançamento de estudos feitos para a abdi sobre o segmento de madeira e móveis:
"o estudo liderado pelo cgee foi demandado pela agência brasileira de desenvolvimento industrial (abdi) e resultou na publicação do panorama setorial – madeira e móveis, volume de 202 páginas e estudo prospectivo – madeira e móveis, de 210 páginas." (leia a notícia completa aqui)
a notícia destaca, em vários pontos, a grande importância do design para que se possa atingir os objetivos do setor. só uma coisa incomoda: apesar disso, não há uma única entidade representativa do design brasileiro listada entre os participantes do comitê gestor do estudo, no final do texto...
não culpo o cgee ou a abdi pela falha, nem a excelente equipe que conduziu o estudo. no entanto, a falha precisa ser corrigida futuramente. acredito que isso seja consequência da fragmentação e enfraquecimento da representação da atividade no país, que nós tentamos combater com a criação do fórum brasil design. ou seja, precisamos reforçar ainda mais as nossas ações se quisermos ser ouvidos. até porque, com uma entidade representativa forte, podemos exigir ser ouvidos.
(*) detalhe curioso: aparentemente os estudos divulgados como novidade no boletim do cgee de abril de 2010 foram lançados no início de julho de 2009, portanto nove meses atrás, e estão disponíveis no site da abdi junto com outras publicações interessantes. vale a pena conhecer os estudos, muito bem elaborados e apresentados. (atenção: os arquivos pdf são bem grandes)
estudo prospectivo madeira e móveis (pdf 47mb)
panorama setorial madeira e móveis (pdf 30mb)
(a imagem das cadeiras foi retirada dos estudos acima)
marcadores:
documentos,
instituições governamentais
terça-feira, 16 de março de 2010
regulamentação, ou design e o seu zé da venda
esta semana, respondendo a um post que se posicionava contra a regulamentação profissional no blog designbr, fiz uma série de considerações a respeito, complementando o que o professor freddy van camp já falara a respeito (ver links no final deste post)
bem, começando pelas comparações – em geral muito difíceis – entre países, e só para citar alguns exemplos (afinal, sempre se citam exemplos de países aonde a profissão não é regulamentada…): finlândia, estados unidos, reino unido, tem organismos reguladores da profissão estabelecidos ainda no século dezenove. conselhos nacionais e outros tipos de associações profissionais trabalharam junto aos governos e à sociedade por mais de um século nestes países, estabelecendo uma cultura de design da qual estamos, infelizmente, muito distantes. na finlândia, com uma população de pouco mais de cinco milhões de habitantes, apenas quatro associações profissionais reúnem quase cinco mil associados – isso equivaleria a termos no brasil 200 mil associados às diversas associações de classe existentes no país. e no entanto tenho motivos para acreditar que as nossas associações não chegam a somar três mil associados em todo o brasil hoje!
muitos criticam as associações existentes, e nos comentários do tal post chegou-se a falar em “fracasso” na atuação da adg. ora, eu não consigo avaliar assim uma entidade que promove um evento da magnitude da bienal de design gráfico, que tem cumprido o importante e fundamental papel de mostrar à sociedade brasileira o que é design, e o que é design de qualidade! estabelecer tal patamar é fundamental para a evolução do design no país. afinal, se esperamos que a sociedade vá consumir design de qualidade, ela precisa saber o que é design de qualidade, não é mesmo? e pelo que eu saiba, um dos maiores problemas da adg é a inadimplência – e não há associação profissional que resista a esse mal. parece que a atitude de alguns profissionais muitas vezes tem sido: não gosto de fulano ou de beltrano, não fizeram o que eu queria, então vou sair da associação, vou deixar de pagar a anuidade. as pessoas que dirigem essas entidades tem sido, historicamente, voluntários e abnegados, que conseguem fazer sobreviver as instituições com esforços heróicos e sacrifícios pessoais para promover atividades que beneficiam a todos, inclusive aos não-associados.
acho que todos concordam que não há como avançar sem algum tipo de atuação coletiva, não é mesmo? e porque tornar vilões genericamente os conselhos e apontar as associações como soluções? ambos não são formados pelos profissionais da área? será que devemos eliminar o congresso nacional ou a classe política porque nós a percebemos como dominada pela corrupção? e qual seria a opção? a tirania? o que eu tenho visto funcionar melhor em alguns países do que no brasil é a participação – fruto da cidadania, cuja percepção parece que nos falta às vezes. e não estou querendo dizer que neste ou naquele país a situação seja exemplar ou ideal, pois isso não existe, todos tem problemas e diferentes estágios de evolução no uso do design como ferramenta estratégica de desenvolvimento. mas somos nós os responsáveis por fazer as nossas representações profissionais (ou políticas) darem certo. não posso acusar uma associação profissional ou conselho pela falta de atuação, pois eu também sou responsável por ela, e se faltam ações, essa falha não é apenas de seus diretores, mas é compartilhada pelos associados.
temos que compreender que o gigantismo e a complexidade do estado brasileiro estabeleceram outros mecanismos, que passam pela excessiva regulamentação profissional, diferente de outros países. há um excesso na regulamentação de profissões. mas por isso mesmo não podemos prescindir de ter nossa profissão reconhecida e regulamentada, sob pena de termos a atuação restrita pela legislação que privilegia profissionais regulamentados e limitada pelos setores profissionais que nos tangenciam.
outro ponto: qual é a medida da contribuição do design para a economia de um país? fala-se muito disso, mas como se podem estabelecer mecanismos de avaliação efetivos? no brasil, o ministério da fazenda tem dados atualizados anualmente para os setores regulados, e pode assim dimensionar a sua evolução ao longo dos anos, apenas fazendo uso do código fiscal e da receita correspondente. e isso decorre de uma clara definição da atuação profissional através da sua regulamentação. existem outras maneiras para fazê-lo? certamente, mas ser a exceção à regra é muito mais complicado do que jogar pelas mesmas regras que se aplicam a todos os outros.
um argumento utilizado com frequência diz que a regulamentação nivelaria os preços por cima, ou tornaria os preços de um projeto de design inatingíveis para o “seu zé da venda”. acontece que no brasil ele geralmente investe muito em outras áreas para alavancar o seu negócio – seja em maquinário e outros insumos, ou na ampliação da oficina, da fábrica ou da sua “venda”, que logo se torna mercadinho, e daí a pouco supermercado. mas não sabe que o design pode estabelecer um diferencial para a marca da sua “venda”. como será o que o “seu zé da venda” fica sabendo que esse tal de design pode ajudá-lo? pela presença do design na mídia garantida por eventos da qualidade da bienal de design gráfico, pelas informações e pelo apoio do sebrae, pelo cartão do bndes que agora financia design. mas este continua sendo um problema no mundo inteiro: como ensinar a contratar design? porque contratar um mau designer estraga todo o esforço feito para mostrar ao “seu zé da venda” a importância do design para o crescimento da sua venda. no reino unido, essa é uma das preocupações do design council, que tem programas específicos sobre como contratar um designer para desenvolver o seu projeto, geralmente focados nas pequenas empresas. e essa preocupação existe também em todos os outros países aonde se pretende ordenar e valorizar o trabalho de design. eu mesmo já ouvi depoimentos de micro-empresários sobre o quanto o design contribuiu para o crescimento das suas empresas, assim como, quando tinha a minha empresa de design no rio de janeiro, já negociei formas de pagamento adequadas ao tamanho da empresa, ou até mesmo a troca de serviços – o bom e velho escambo – que está na origem do sistema econômico de trocas comerciais, antes mesmo do surgimento da moeda.
enfim, não existe outra saída: precisamos nos organizar, nos associar, reforçar muito as associações existentes – e o fórum brasil design, que reuniu já na sua criação praticamente todas as entidades associativas da área de design no brasil inteiro – e apoiar sim, a regulamentação. ela certamente trará benefícios para todos, e principalmente para o usuário de design, que terá a quem recorrer para se instruir sobre como contratar corretamente um profissional de design que possa atender às suas expectativas.
(aqui está o post no designbr que originou este texto; não deixe de ver também este texto do professor freddy van camp sobre o assunto e esta apresentação preparada para a adegraf pelo professor felipe lopes, da unb)
ps: acrescento o link para o texto do mauro pinheiro, um dos melhores que já li sobre o assunto, e bom demais para estar apenas entre os comentários...
bem, começando pelas comparações – em geral muito difíceis – entre países, e só para citar alguns exemplos (afinal, sempre se citam exemplos de países aonde a profissão não é regulamentada…): finlândia, estados unidos, reino unido, tem organismos reguladores da profissão estabelecidos ainda no século dezenove. conselhos nacionais e outros tipos de associações profissionais trabalharam junto aos governos e à sociedade por mais de um século nestes países, estabelecendo uma cultura de design da qual estamos, infelizmente, muito distantes. na finlândia, com uma população de pouco mais de cinco milhões de habitantes, apenas quatro associações profissionais reúnem quase cinco mil associados – isso equivaleria a termos no brasil 200 mil associados às diversas associações de classe existentes no país. e no entanto tenho motivos para acreditar que as nossas associações não chegam a somar três mil associados em todo o brasil hoje!
muitos criticam as associações existentes, e nos comentários do tal post chegou-se a falar em “fracasso” na atuação da adg. ora, eu não consigo avaliar assim uma entidade que promove um evento da magnitude da bienal de design gráfico, que tem cumprido o importante e fundamental papel de mostrar à sociedade brasileira o que é design, e o que é design de qualidade! estabelecer tal patamar é fundamental para a evolução do design no país. afinal, se esperamos que a sociedade vá consumir design de qualidade, ela precisa saber o que é design de qualidade, não é mesmo? e pelo que eu saiba, um dos maiores problemas da adg é a inadimplência – e não há associação profissional que resista a esse mal. parece que a atitude de alguns profissionais muitas vezes tem sido: não gosto de fulano ou de beltrano, não fizeram o que eu queria, então vou sair da associação, vou deixar de pagar a anuidade. as pessoas que dirigem essas entidades tem sido, historicamente, voluntários e abnegados, que conseguem fazer sobreviver as instituições com esforços heróicos e sacrifícios pessoais para promover atividades que beneficiam a todos, inclusive aos não-associados.
acho que todos concordam que não há como avançar sem algum tipo de atuação coletiva, não é mesmo? e porque tornar vilões genericamente os conselhos e apontar as associações como soluções? ambos não são formados pelos profissionais da área? será que devemos eliminar o congresso nacional ou a classe política porque nós a percebemos como dominada pela corrupção? e qual seria a opção? a tirania? o que eu tenho visto funcionar melhor em alguns países do que no brasil é a participação – fruto da cidadania, cuja percepção parece que nos falta às vezes. e não estou querendo dizer que neste ou naquele país a situação seja exemplar ou ideal, pois isso não existe, todos tem problemas e diferentes estágios de evolução no uso do design como ferramenta estratégica de desenvolvimento. mas somos nós os responsáveis por fazer as nossas representações profissionais (ou políticas) darem certo. não posso acusar uma associação profissional ou conselho pela falta de atuação, pois eu também sou responsável por ela, e se faltam ações, essa falha não é apenas de seus diretores, mas é compartilhada pelos associados.
temos que compreender que o gigantismo e a complexidade do estado brasileiro estabeleceram outros mecanismos, que passam pela excessiva regulamentação profissional, diferente de outros países. há um excesso na regulamentação de profissões. mas por isso mesmo não podemos prescindir de ter nossa profissão reconhecida e regulamentada, sob pena de termos a atuação restrita pela legislação que privilegia profissionais regulamentados e limitada pelos setores profissionais que nos tangenciam.
outro ponto: qual é a medida da contribuição do design para a economia de um país? fala-se muito disso, mas como se podem estabelecer mecanismos de avaliação efetivos? no brasil, o ministério da fazenda tem dados atualizados anualmente para os setores regulados, e pode assim dimensionar a sua evolução ao longo dos anos, apenas fazendo uso do código fiscal e da receita correspondente. e isso decorre de uma clara definição da atuação profissional através da sua regulamentação. existem outras maneiras para fazê-lo? certamente, mas ser a exceção à regra é muito mais complicado do que jogar pelas mesmas regras que se aplicam a todos os outros.
um argumento utilizado com frequência diz que a regulamentação nivelaria os preços por cima, ou tornaria os preços de um projeto de design inatingíveis para o “seu zé da venda”. acontece que no brasil ele geralmente investe muito em outras áreas para alavancar o seu negócio – seja em maquinário e outros insumos, ou na ampliação da oficina, da fábrica ou da sua “venda”, que logo se torna mercadinho, e daí a pouco supermercado. mas não sabe que o design pode estabelecer um diferencial para a marca da sua “venda”. como será o que o “seu zé da venda” fica sabendo que esse tal de design pode ajudá-lo? pela presença do design na mídia garantida por eventos da qualidade da bienal de design gráfico, pelas informações e pelo apoio do sebrae, pelo cartão do bndes que agora financia design. mas este continua sendo um problema no mundo inteiro: como ensinar a contratar design? porque contratar um mau designer estraga todo o esforço feito para mostrar ao “seu zé da venda” a importância do design para o crescimento da sua venda. no reino unido, essa é uma das preocupações do design council, que tem programas específicos sobre como contratar um designer para desenvolver o seu projeto, geralmente focados nas pequenas empresas. e essa preocupação existe também em todos os outros países aonde se pretende ordenar e valorizar o trabalho de design. eu mesmo já ouvi depoimentos de micro-empresários sobre o quanto o design contribuiu para o crescimento das suas empresas, assim como, quando tinha a minha empresa de design no rio de janeiro, já negociei formas de pagamento adequadas ao tamanho da empresa, ou até mesmo a troca de serviços – o bom e velho escambo – que está na origem do sistema econômico de trocas comerciais, antes mesmo do surgimento da moeda.
enfim, não existe outra saída: precisamos nos organizar, nos associar, reforçar muito as associações existentes – e o fórum brasil design, que reuniu já na sua criação praticamente todas as entidades associativas da área de design no brasil inteiro – e apoiar sim, a regulamentação. ela certamente trará benefícios para todos, e principalmente para o usuário de design, que terá a quem recorrer para se instruir sobre como contratar corretamente um profissional de design que possa atender às suas expectativas.
(aqui está o post no designbr que originou este texto; não deixe de ver também este texto do professor freddy van camp sobre o assunto e esta apresentação preparada para a adegraf pelo professor felipe lopes, da unb)
ps: acrescento o link para o texto do mauro pinheiro, um dos melhores que já li sobre o assunto, e bom demais para estar apenas entre os comentários...
marcadores:
regulamentação
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
descobrindo o design
só para comprovar que nós temos que olhar para a frente e acreditar sempre: hoje, um dia depois do dia do designer, recebi a notícia da realização, na semana que vem, do evento descobrindo o design.
promovido por estudantes de design da unip, o evento será realizado no auditório da universidade paulista, na cidade universitária (são paulo), durante a 3ª secom - semana de comunicação digital - do dia 9 ao dia 12 de novembro. serão oito palestras (duas por dia) abertas ao público, começando sempre às 19:30hs.
pode ser simples, pequeno, despretensioso, mas mostra a garra e a vontade de levar adiante os ideais e interesses dos designers. vamos apoiar e estimular a realização (e o aprimoramento) de mais eventos como esse, pois os estudantes tem o fôlego e o tempo que muitas vezes nós, profissionais atuando no mercado, gostaríamos de ter mas já não temos mais.
maiores informações podem ser obtidas no site do evento.
_
falando sobre o evento da unip, eu não poderia deixar de mencionar o "design através do espelho", que os alunos da esdi brilhantemente produziram em setembro do ano passado, e que por não ter assistido (eu estava viajando na ocasião) acabei não comentando aqui. mas o registro das palestras está aqui. foi frustrante para mim não poder participar! e está na hora de fazer outro, não é mesmo?
promovido por estudantes de design da unip, o evento será realizado no auditório da universidade paulista, na cidade universitária (são paulo), durante a 3ª secom - semana de comunicação digital - do dia 9 ao dia 12 de novembro. serão oito palestras (duas por dia) abertas ao público, começando sempre às 19:30hs.
pode ser simples, pequeno, despretensioso, mas mostra a garra e a vontade de levar adiante os ideais e interesses dos designers. vamos apoiar e estimular a realização (e o aprimoramento) de mais eventos como esse, pois os estudantes tem o fôlego e o tempo que muitas vezes nós, profissionais atuando no mercado, gostaríamos de ter mas já não temos mais.
maiores informações podem ser obtidas no site do evento.
_
falando sobre o evento da unip, eu não poderia deixar de mencionar o "design através do espelho", que os alunos da esdi brilhantemente produziram em setembro do ano passado, e que por não ter assistido (eu estava viajando na ocasião) acabei não comentando aqui. mas o registro das palestras está aqui. foi frustrante para mim não poder participar! e está na hora de fazer outro, não é mesmo?
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
5 de novembro, dia do designer
no brasil, comemoramos hoje o dia do designer*, no meio da segunda edição da brazil design week - um grande evento promovido pela abedesign para fechar um ano difícil, que espero que tenha preparado o terreno para um grande ano para o design brasileiro em 2010. (merece uma retrospectiva no final do ano)
achei que essa era uma boa oportunidade para voltar a alimentar este blog, ainda que seja com promessas de postar mais de agora em diante...
já instalado na inglaterra, estou começando meu doutorado em políticas de design no c4d - centre for creative competitive design da cranfield university. e daqui espero poder compartilhar pelo menos um pouco daquilo que tenho vivido - como a inauguração da mostra le beau, l'utile, le design - observeur du design 10 em paris, no último dia 22, ou o seminário managing as designing: what next? na said business school, em oxford, na semana passada (dia 30), ou ainda a verdadeira garimpagem de boas fontes, livros e documentos interessantes que faz parte do início da pesquisa.
enquanto isso em shangai, ali do outro lado, meu amigo bruno porto comemora hoje a ida para o congresso do icograda, em beijing, da 9ª bienal brasileira de design gráfico, após o grande sucesso alcançado na shanghai international creative industry week 2009 (que pode ser conferido no seu blog loto azul).
muita coisa para comentar, quase não sei por onde começar - mas me parece uma boa idéia começar por cumprir minhas tarefas da semana no doutorado, e aí então voltar a escrever...
_
*para quem não sabe, o dia do designer foi instituido por decreto presidencial em 1998, na data de aniversário de aloisio magalhães, um dos pioneiros do design brasileiro e que fez muito para estabelecer, dentro do governo federal, principios de uma política pública para o setor.
achei que essa era uma boa oportunidade para voltar a alimentar este blog, ainda que seja com promessas de postar mais de agora em diante...
já instalado na inglaterra, estou começando meu doutorado em políticas de design no c4d - centre for creative competitive design da cranfield university. e daqui espero poder compartilhar pelo menos um pouco daquilo que tenho vivido - como a inauguração da mostra le beau, l'utile, le design - observeur du design 10 em paris, no último dia 22, ou o seminário managing as designing: what next? na said business school, em oxford, na semana passada (dia 30), ou ainda a verdadeira garimpagem de boas fontes, livros e documentos interessantes que faz parte do início da pesquisa.
enquanto isso em shangai, ali do outro lado, meu amigo bruno porto comemora hoje a ida para o congresso do icograda, em beijing, da 9ª bienal brasileira de design gráfico, após o grande sucesso alcançado na shanghai international creative industry week 2009 (que pode ser conferido no seu blog loto azul).
muita coisa para comentar, quase não sei por onde começar - mas me parece uma boa idéia começar por cumprir minhas tarefas da semana no doutorado, e aí então voltar a escrever...
_
*para quem não sabe, o dia do designer foi instituido por decreto presidencial em 1998, na data de aniversário de aloisio magalhães, um dos pioneiros do design brasileiro e que fez muito para estabelecer, dentro do governo federal, principios de uma política pública para o setor.
marcadores:
eventos
quarta-feira, 22 de abril de 2009
27 de abril: dia mundial do design gráfico

ok, já que publiquei abaixo sobre o dia mundial do design industrial, agora vocês ficam sabendo que 27 de abril é o dia mundial do design gráfico, celebrado desde 1995 a partir de uma iniciativa do conselho internacional das associações de design gráfico.
acompanhe a programação deste ano pelo informativo icograda enews ou através do site do icograda.
(o poster acima, reproduzido a partir do site do icograda, é da designer liliana sánchez vallejos)
marcadores:
eventos
sábado, 18 de abril de 2009
arc design faz a festa do top xxi em sp

veja aqui as fotos da festa da premiação top xxi do design brasileiro, promovida pela revista arc design na sede do instituto europeu de design em são paulo na noite de 16 de abril.
noite de festa, de destaque para o setor de design no brasil inteiro. um excelente coquetel, exposição, animação, reencontros diversos. e o troféu criado pelos irmãos campana agraciando ilse lang, priscila callegari, índio da costa, isay weinfeld, grandene, sebrae, zanini de zanine, questto design e muitos outros merecidos vencedores e orgulhosos finalistas.
faltam outras premiações como essa, que destaca o bom produto, a qualidade e a inovação, consagrando o design brasileiro.
parabéns à maria helena estrada e ao time da revista arc design. queremos mais.
marcadores:
eventos
domingo, 12 de abril de 2009
rio+design para o mundo ver

e por falar em revista veja, a veja-rio publica esta semana matéria sobre a mostra rio+design milano, que inaugura no dia 21 e fica até o dia 27 de abril no palazzo affari ai giureconsulti, em milão, durante o período em que ocorre o 48° salone internazionale del mobile naquela cidade italiana.
a mostra, promovida pela secretaria de desenvolvimento do estado do rio de janeiro e apoiada pelo sebrae-rj e pela tam, reúne um bom número dos melhores designers cariocas, tentando dar um panorama abrangente da produção atual. as peças foram selecionadas por mim e por freddy van camp, e o projeto da exposição é do escritório índio da costa.
confira a matéria "para o mundo ver" no site da revista. e, se você for um dos 200.000 visitantes que irão à feira este ano, não deixe de prestigiar o design carioca, ali bem pertinho da piazza del duomo...
e em setembro tem rio+design 2009 por aqui também, com muitas atrações – aguardem!
quarta-feira, 8 de abril de 2009
design nos arquivos da revista veja

ontem recebi uma informação, que já não é tão nova assim, sobre o acervo online da revista veja, que está no ar completo, desde o número um publicado em setembro de 1968. o site que dá acesso à esse incrível acervo foi lançado pela editora abril em dezembro de 2008, e merece uma visita (ou melhor: muitas visitas!).
dentre as muitas coisas que lá se pode pescar, selecionei três notícias sobre design (retiradas das edições cujas capas aparecem acima), que em tempos de tanto planejamento de eventos e políticas de design, vale a pena ver de novo...
o artigo "o desenho é tudo" diz respeito à primeira (primeira mesmo, diferente de todas as outras primeiras que vieram depois) bienal de desenho industrial, que aconteceu no museu de arte moderna do rio de janeiro em 1968. no texto o design é definido como a "ciência do planejamento ou da criação de objetos fabricados em série através da interação forma/função". muita gente gostaria de acrescentar outros tantos aspectos nesta interação, mas será que a simplicidade da dialética entre forma e função não pode ser entendida como suficientemente inclusiva? aspectos ergonômicos, sensoriais, mercadológicos, simbólicos, não podem ser enxergados na síntese forma/função?
o segundo, "beleza vende bem", que fala da abertura da segunda bienal de desenho industrial, em 1970, começa ácido e corrosivo: "o bom produto industrial pode vender melhor se for apresentado de forma racional? para 90% dos industriais brasileiros, não. segundo eles, o desenho industrial – a apresentação que alia de forma ideal beleza e funcionalidade – não tem importância." demorou bastante, mas parece que essa situação está mudando, não é mesmo? ou não?
por último, "um padrão estrangeiro", matéria publicada em 1979, quando do lançamento do núcleo de desenho industrial da ciesp, o centro das indústrias do estado de são paulo. a matéria, que descreve a exposição de obras da coleção de design do moma, destaca em box os talheres de camping desenhados por bornancini e petzold para a hércules. e termina anunciando uma exposição que eu produzi com alguns colegas no meu primeiro ano da esdi, reunindo trabalhos também do curso de desenho industrial da ufrj: "da natureza ao produto".
essa exposição, que em janeiro de 1980 foi remontada no parque laje, junto com outros trabalhos dos estudantes da puc-rj e chamando-se "da natureza ao produto - do produto à natureza", hoje seria classificada dentro da categoria "design sustentável". e foi também minha primeira ação política na área do design, visando integrar as ações das três escolas existentes na cidade nos anos setenta, e chamar atenção para questões que começavam a entrar na pauta mundial de discussões: a ecologia, os problemas relacionados ao meio ambiente, a necessidade de dar suporte às atividades de pequenos agricultores. tudo isso com o apoio de dois mestres que mobilizavam os estudantes pelas causas sociais do design: roberto verschleisser e josé luiz ripper.
(assim que eu localizar o convite, cartaz e mais informações sobre esta exposição vou complementar esse post.)
marcadores:
documentos,
imprensa
design brasileiro hoje

a exposição design brasileiro hoje: fronteiras, inaugurada no dia 07 de abril no museu de arte moderna de são paulo, apresenta um recorte bastante expressivo do design contemporâneo brasileiro, com curadoria de adélia borges. noventa e cinco designers tem seus trabalhos na mostra, que também pode ser vista virtualmente no excelente site desenvolvido pela tecnopop.
vale conferir ao vivo e online.

bem, e como eu disse que valia a pena conferir ao vivo, aqui vão algumas imagens da mostra, que fui conferir no dia 16 de abril, junto com a curadora adélia borges.
marcadores:
eventos
quarta-feira, 25 de março de 2009
é por isso que eu digo que o rio é mais design...
ultimamente não paro de me surpreender, constatando que estamos finalmente começando a viver a era do design no brasil.
hoje tomei parte de uma reunião articulada pela secretaria de cultura do município do rio de janeiro, presidida pela secretária jandira feghali, com a subsecretária de artes visuais cláudia zarvos (designer formada pela esdi) e o subsecretário washington fajardo, responsável pelo patrimônio, intervenções urbanas, arquitetura e design – uma subsecretaria de nome panfletário, segundo washington, ou consistente com o seu propósito, segundo jandira.
entre os mais de trinta representantes do setor de design carioca presentes, um mix perfeito: do sérgio rodrigues ao oscar metsavaht, da esdi e puc à coopa-roca e daspu, do andré stolarski da tecnopop ao rafael rodrigues da pvdi e o nobu do oestúdio, do rafael cardoso, historiador, à ana luisa escorel, bitiz afflalo, claudia moreira salles, joão de souza leite. estavam todos lá, e muita gente mais.
antes de mais nada, parabéns à secretaria de cultura pelo encontro organizado de forma competente. e muito obrigado por ter sido convidado – e ouvido.
hoje tomei parte de uma reunião articulada pela secretaria de cultura do município do rio de janeiro, presidida pela secretária jandira feghali, com a subsecretária de artes visuais cláudia zarvos (designer formada pela esdi) e o subsecretário washington fajardo, responsável pelo patrimônio, intervenções urbanas, arquitetura e design – uma subsecretaria de nome panfletário, segundo washington, ou consistente com o seu propósito, segundo jandira.
entre os mais de trinta representantes do setor de design carioca presentes, um mix perfeito: do sérgio rodrigues ao oscar metsavaht, da esdi e puc à coopa-roca e daspu, do andré stolarski da tecnopop ao rafael rodrigues da pvdi e o nobu do oestúdio, do rafael cardoso, historiador, à ana luisa escorel, bitiz afflalo, claudia moreira salles, joão de souza leite. estavam todos lá, e muita gente mais.
antes de mais nada, parabéns à secretaria de cultura pelo encontro organizado de forma competente. e muito obrigado por ter sido convidado – e ouvido.
o entusiasmo de todos era tão grande, que a reunião terminou mais de duas horas depois do previsto, sem que quase ninguém saísse antes, e ainda se estendeu num almoço de alguns remanecentes com a secretária. todos cheios de idéias e de vontade de acreditar mais uma vez, e de colaborar também, com a proposta apresentada de um centro de referência de design, que lide com presente, passado e futuro, que ajude a reunir e a planejar, com o objetivo de criar uma agenda pública para o setor, de definir o papel no design na reconstrução da cidade e da autoestima do carioca. criando, segundo disse rodolfo capeto, diretor da esdi, uma política de design de estado, de caráter mais perene, e não de governo, que é transitório.
isso no mesmo momento em que no grupo consultivo de design da secretaria de desenvolvimento do estado do rio de janeiro se delineia a rio+design 2009 (e a rio+design milão, que acontecerá em abril durante a feira do móvel), em que o fórum brasil design debuta com o manifesto por um design brasileiro, além de tantas outras coisas que ainda é cedo para listar por aqui (mas que em breve marcarão presença no panorama do design do rio de janeiro)...
isso no mesmo momento em que no grupo consultivo de design da secretaria de desenvolvimento do estado do rio de janeiro se delineia a rio+design 2009 (e a rio+design milão, que acontecerá em abril durante a feira do móvel), em que o fórum brasil design debuta com o manifesto por um design brasileiro, além de tantas outras coisas que ainda é cedo para listar por aqui (mas que em breve marcarão presença no panorama do design do rio de janeiro)...
parece bom demais para ser verdade.
mas juro para vocês: é tudo verdade !
marcadores:
eventos,
instituições governamentais
quarta-feira, 4 de março de 2009
manifesto por um design brasileiro
é com grande honra e orgulho que divulgo, conforme prometido desde novembro passado, o manifesto que assinala a criação do fórum brasil design. que todos possamos fazer o que nos cabe para tornar os ideais deste fórum uma realidade!
"manifesto por um design brasileiro
em setembro de 2008, durante a realização da primeira brazil design week no museu de arte moderna do rio de janeiro, foram discutidos assuntos da maior importância para a cena atual do design brasileiro, e conclamou-se a realização de um encontro das associações nacionais e regionais de design para, junto com outras entidades de promoção da área, discutir-se uma pauta comum de atuação nacional que visasse o reconhecimento e o crescimento ordenado da atividade no país.
esta conclamação resultou no encontro promovido pelo centro design rio na sede do instituto nacional de tecnologia no rio de janeiro, em 28 de novembro de 2008, onde representantes da abedesign, adp, adg brasil, apdesign-rs, adegraf-df, centro design rio e outros convidados (firjan, secretaria de desenvolvimento do estado do rj, esdi), propuseram a criação de um fórum de discussão permanente e de representação conjunta de todas as entidades associativas ligadas ao design no país, sempre que isso se fizer necessário, no encaminhamento de questões com o poder público e com a sociedade.
foi criado então o fórum brasil design, que se propõe a congregar e representar todas as associações profissionais e acadêmicas da área, além dos centros de promoção de design do pais. esse fórum tem por principal objetivo a defesa dos interesses e o crescimento do design brasileiro, seja regional, nacional ou internacionalmente, agindo como principal representante da categoria, com apresentação e voz única no encaminhamento e defesa de suas pautas maiores.
o fórum mantém a identidade e independência de cada um de seus componentes, ajudando-os na sua organização, estimulando o seu crescimento e fortalecimento junto à comunidade de designers e à sociedade brasileira. por sua vez, seus componentes se comprometem a seguir e apoiar com todos os recursos disponíveis este manifesto, a agenda e as metas do fórum.
o fórum brasil design lutará, entre outras coisas, pelo reconhecimento do design como ferramenta fundamental na construção de uma sociedade mais sustentável nos seus aspectos econômico, social, cultural e ambiental e, portanto, entendido, respeitado e fomentado por entidades governamentais, educacionais, federações, associações e outras entidades representativas.
o fórum brasil design terá como base da sua atuação os seguintes princípios:
por um design brasileiro ético.
por um design brasileiro identificado pela criatividade, qualidade e profissionalismo, produzido por designers qualificados, desenvolvendo de forma responsável objetos, sistemas, serviços e mensagens que atendam a requisitos estéticos, funcionais e comerciais.
por um design brasileiro social, econômica e ambientalmente sustentável, que atue na melhoria da qualidade de vida e do quadro social e ambiental, colocando-se um passo adiante das demandas atuais em benefício desta e das próximas gerações.
por um design brasileiro reconhecido pela sociedade como um elemento fundamental para o seu desenvolvimento, na construção de valores e no fortalecimento da imagem nacional através do uso efetivo do design nos negócios e no setor público.
porque o brasil precisa de design.
fórum brasil design
(veja aqui a versão em inglês do manifesto para divulgação internacional)
"manifesto por um design brasileiro
em setembro de 2008, durante a realização da primeira brazil design week no museu de arte moderna do rio de janeiro, foram discutidos assuntos da maior importância para a cena atual do design brasileiro, e conclamou-se a realização de um encontro das associações nacionais e regionais de design para, junto com outras entidades de promoção da área, discutir-se uma pauta comum de atuação nacional que visasse o reconhecimento e o crescimento ordenado da atividade no país.
esta conclamação resultou no encontro promovido pelo centro design rio na sede do instituto nacional de tecnologia no rio de janeiro, em 28 de novembro de 2008, onde representantes da abedesign, adp, adg brasil, apdesign-rs, adegraf-df, centro design rio e outros convidados (firjan, secretaria de desenvolvimento do estado do rj, esdi), propuseram a criação de um fórum de discussão permanente e de representação conjunta de todas as entidades associativas ligadas ao design no país, sempre que isso se fizer necessário, no encaminhamento de questões com o poder público e com a sociedade.
foi criado então o fórum brasil design, que se propõe a congregar e representar todas as associações profissionais e acadêmicas da área, além dos centros de promoção de design do pais. esse fórum tem por principal objetivo a defesa dos interesses e o crescimento do design brasileiro, seja regional, nacional ou internacionalmente, agindo como principal representante da categoria, com apresentação e voz única no encaminhamento e defesa de suas pautas maiores.
o fórum mantém a identidade e independência de cada um de seus componentes, ajudando-os na sua organização, estimulando o seu crescimento e fortalecimento junto à comunidade de designers e à sociedade brasileira. por sua vez, seus componentes se comprometem a seguir e apoiar com todos os recursos disponíveis este manifesto, a agenda e as metas do fórum.
o fórum brasil design lutará, entre outras coisas, pelo reconhecimento do design como ferramenta fundamental na construção de uma sociedade mais sustentável nos seus aspectos econômico, social, cultural e ambiental e, portanto, entendido, respeitado e fomentado por entidades governamentais, educacionais, federações, associações e outras entidades representativas.
o fórum brasil design terá como base da sua atuação os seguintes princípios:
por um design brasileiro ético.
por um design brasileiro identificado pela criatividade, qualidade e profissionalismo, produzido por designers qualificados, desenvolvendo de forma responsável objetos, sistemas, serviços e mensagens que atendam a requisitos estéticos, funcionais e comerciais.
por um design brasileiro social, econômica e ambientalmente sustentável, que atue na melhoria da qualidade de vida e do quadro social e ambiental, colocando-se um passo adiante das demandas atuais em benefício desta e das próximas gerações.
por um design brasileiro reconhecido pela sociedade como um elemento fundamental para o seu desenvolvimento, na construção de valores e no fortalecimento da imagem nacional através do uso efetivo do design nos negócios e no setor público.
porque o brasil precisa de design.
fórum brasil design
(veja aqui a versão em inglês do manifesto para divulgação internacional)
marcadores:
documentos
terça-feira, 3 de março de 2009
29 de junho: dia mundial do design industrial

você sabia que 29 de junho é o dia mundial do design industrial?
a data, que faz referência ao aniversário do icsid (conselho internacional de sociedades de design industrial), foi estabelecida em 2008 para "enfatizar os méritos da profissão e o seu impacto sobre a qualidade de vida".
vamos nos integrar à comunidade internacional dos designers e promover eventos comemorativos da data? verifique a programação do ano passado e a previsão para este ano no website do icsid.
(o poster acima, reproduzido a partir do site do icsid, é de autoria do designer uwe loesch)
marcadores:
eventos
segunda-feira, 2 de março de 2009
kidp - bom design é um bom negócio

"o século 21 tem sido chamado a era do design, onde o design é da máxima importância, a essência que impulsiona a inovação. o design tornou-se um elemento chave que permite a convivência sustentável e harmoniosa dos seres humanos no meio ambiente. o design korea será uma oportunidade para encontrar uma nova filosofia de design, a expansão de redes de contatos na indústria criativa, e para o intercâmbio de informações entre pessoas de todo o mundo. o design korea irá abrir caminho para um padrão mais elevado do design global."
criado em 1970 para "revolucionar as exportações coreanas", o kidp korea institute of industrial design promotion é um dos mais bem sucedidos e bem estruturados programas de design no mundo. sua sede ocupa os 47 mil metros quadrados de modernas instalações do edifício "new millenium ark", na cidade de sungnam, aonde se situam galerias e espaços de exposição, um museu de design, biblioteca, auditórios, centro de treinamento, área de incubação de empresas, além dos escritórios do kidp e ainda, no último andar, o designer's club.
entre as suas diversas atividades, destaca-se a promoção do evento design korea (texto de apresentação acima), a atribuição do selo good design, e ainda a promoção (desde 1966) da premiação/exposição nacional korea design exhibition.
veja abaixo o diagrama retirado do website com a visão do kidp de uma coréia orientada ao design. clique na imagem para ver o diagrama completo:

todo esse empenho do governo coreano tornou seul a capital mundial do design em 2010. o programa world design capital, do icsid, é um programa que a cada dois anos elege uma cidade que se identifique pelo uso efetivo do design no seu processo de renovação e na melhoria da qualidade de vida.

kidp - korea design center
170 tancheonuro, bundang-gu, seongnam city, gyeonggi-do
republic of korea, 463-954
tel +82-31-780-2157 (kim yeo-eun, international affairs team)
www.designdb.com/english
global@kidp.or.kr
marcadores:
instituições governamentais
frança: agência para a promoção da criação industrial

criada em 1983 como uma iniciativa conjunta dos ministérios da cultura e da indústria, a apci tornou-se uma entidade privada em 1993, e desenvolve ferramentas e ações sobre os aspectos culturais, econômicos e sociais do design francês - tanto internamente quanto no exterior.
entre as suas diversas iniciativas, destaca-se a promoção anual da seleção de produtos, premiação e exposição observeur du design, que recebe, em média, 300 mil visitantes por ano na frança e no exterior (este ano a mostra deverá vir ao brasil pela primeira vez, como parte do evento rio+design 2009). a apci publica ainda bianualmente um guia do design francês, o panorama design france, e o informativo la chronique du design, e mantém em seu website as bases de dados dos projetos selecionados e premiados desde a primeira edição do observeur du design (atualmente em sua nona edição), além do european design directory, com informações sobres estúdios e agências de design, freelancers, escolas de design, organizações profissionais, consultores e empregadores de design em toda a europa. além disso, promove pesquisas, seminários, concursos, e diversas outras atividades de promoção e apoio ao design na frança e em outros países do mundo.
apci
24, rue du charolais
75012 paris france
tel: +33 1 4345 0450
www.apci.asso.fr
info@apci.asso.fr
marcadores:
instituições governamentais
o design council e o cenário atual do design britânico

com a missão atribuída de "inspirar e permitir a melhor utilização do design, a fim de tornar o reino unido uma nação mais competitiva, criativa e sustentável", o design council, criado em 1944, tem realmente inspirado e contribuído para a superação de diversas crises da indústria britânica ao longo de seus mais de 60 anos de existência. trabalhando sempre na promoção do produto britânico, e especialmente no aprimoramento da qualidade deste para torná-lo competitivo no mercado mundial, o design council age em conjunto com a política industrial e comercial do país em todos os níveis. seus programas atuam desde junto às pequenas e médias empresas, com o objetivo de gerar experiências positivas de design de produtos com qualidade e inovação, até na promoção externa, como no programa millenium products, encomendado pelo então primeiro ministro tony blair, que selecionou cerca de mil produtos notáveis do design britânico que seriam objeto de publicações e exposições.
aliás, a preocupação em ter o design contribuindo para o crescimento da nação já era destaque no governo de sua predecessora, margaret thatcher, que resumiu no início dos anos noventa a urgência de uma reação britânica ao processo de globalização ao cunhar a frase "design or decline". e o atual primeiro ministro gordon brown encomendou, quando ainda ocupava o cargo de ministro das finanças (chancellor of the exchequer), um relatório coordenado por sir george cox (que presidia, à época, o design council), conhecido como "cox review of creativity in business", com o objetivo de assegurar que tanto o governo quanto as empresas e o sistema educacional fizessem o uso adequado dos talentos criativos do reino unido.
presidido atualmente por sir michael bichard, o design council desenvolve muitas ações de promoção e planejamento. lançado recentemente, "the good design plan", tem por objetivo tornar o reino unido o melhor usuário de design do mundo, com planejamento de três anos envolvendo cinco objetivos:
1. inovação nas empresas e nos serviços públicos;
2. engajamento público e comunitário;
3. desenvolvimento de habilidades em design;
4. políticas e promoção de design; e
5. eficiência organizacional e operacional.
outro programa interessante é o "designing out crime", workshop que procurou discutir soluções para combater o crime e a violência, sob a ótica do design e da inovação em produtos e serviços. a esse respeito, foi criado dentro do central saint martins college of art and design o centro de pesquisa "design against crime", que pesquisa e propõe soluções práticas para desestimular pequenas ações criminosas. e ainda o programa "designing demand", que dá suporte a empresas de pequeno, médio ou até de grande porte para experimentarem ferramentas de design, levando para dentro das empresas workshops e consultores para trabalharem em conjunto com gerentes e diretores na solução de problemas.
a cena britânica de design é bastante ampla, e londres conta com um excelente museu do design à beira do tâmisa, além de existirem organizações e eventos similares espalhados pelo reino unido. por exemplo, em 1996 glasgow, na escócia, lançou-se como "cidade do design", promovendo o festival internacional do design e entitulando-se a "escócia com estilo". e anualmente é promovido o london design festival, que acontece no mês de setembro, com diversos eventos espalhados pela cidade. governo e entidades de planejamento e promoção de design compartilham um discurso e uma prática coerentes e engajados, em prol do bom design como ferramenta estratégica de desenvolvimento cultural, industrial e comercial. a constante exposição da população ao bom design, seja nas escolas, nos museus, nos prédios e serviços públicos, além de estimular o orgulho nacional pela sua indústria e serviços, promove e contribui para aprimorar a qualidade destes mesmos produtos e serviços, deixando-os além de prontos para competir no mercado internacional, menos vulneráveis à concorrência externa.
outro programa interessante é o "designing out crime", workshop que procurou discutir soluções para combater o crime e a violência, sob a ótica do design e da inovação em produtos e serviços. a esse respeito, foi criado dentro do central saint martins college of art and design o centro de pesquisa "design against crime", que pesquisa e propõe soluções práticas para desestimular pequenas ações criminosas. e ainda o programa "designing demand", que dá suporte a empresas de pequeno, médio ou até de grande porte para experimentarem ferramentas de design, levando para dentro das empresas workshops e consultores para trabalharem em conjunto com gerentes e diretores na solução de problemas.
a cena britânica de design é bastante ampla, e londres conta com um excelente museu do design à beira do tâmisa, além de existirem organizações e eventos similares espalhados pelo reino unido. por exemplo, em 1996 glasgow, na escócia, lançou-se como "cidade do design", promovendo o festival internacional do design e entitulando-se a "escócia com estilo". e anualmente é promovido o london design festival, que acontece no mês de setembro, com diversos eventos espalhados pela cidade. governo e entidades de planejamento e promoção de design compartilham um discurso e uma prática coerentes e engajados, em prol do bom design como ferramenta estratégica de desenvolvimento cultural, industrial e comercial. a constante exposição da população ao bom design, seja nas escolas, nos museus, nos prédios e serviços públicos, além de estimular o orgulho nacional pela sua indústria e serviços, promove e contribui para aprimorar a qualidade destes mesmos produtos e serviços, deixando-os além de prontos para competir no mercado internacional, menos vulneráveis à concorrência externa.
design council
34 bow street
london wc2e 7dl united kingdom
tel: +44(0)20 7420 5200
www.designcouncil.org.uk
info@designcouncil.org.uk
marcadores:
documentos,
instituições governamentais
novo tag: instituições governamentais
para ajudar a situar o cenário internacional de políticas públicas de design, passo a colocar, sob o tag "instituições governamentais", apresentações sobre organismos responsáveis pela gestão de políticas públicas de design em diversos países, com links para os websites onde se poderá obter informações mais detalhadas. o objetivo é gerar uma base de dados dinâmica, em constante atualização, acessível a todos os interessados no assunto.
é importante observar que os links muitas vezes apontam para assuntos específicos dentro dos websites recomendados, e por alterações internas destes websites poderão não funcionar adequadamente. se isso acontecer, por favor entre em contato que eu procurarei corrigi-los.
além disso, se você tiver alguma sugestão de instituição a ser incluida, por favor deixe abaixo o seu comentário que procurarei, na medida do possível, atender a todos.
e, para servir de índice para os posts relativos à essas instituições, aqui vai a lista (que será atualizada à medida que novos posts forem acrescentados) com as publicações existentes neste blog e aquelas que estão sendo preparadas para postagem futura. não há nenhuma periodicidade certa ou ordenação nas publicações - elas serão postadas na medida em que ficarem prontas:
uk design council (reino unido)
us national design policy initiative (estados unidos)
apci agence pour la promotion de la création industrielle (frança)
ddi sociedad estatal para el desarrollo del diseño (espanha)
pbd programa brasileiro de design (brasil)
kidp korean institute of design promotion (coréia)
bidpo beijing industrial design promotion organization (china)
norskdesign norwegian design council (noruega)
é importante observar que os links muitas vezes apontam para assuntos específicos dentro dos websites recomendados, e por alterações internas destes websites poderão não funcionar adequadamente. se isso acontecer, por favor entre em contato que eu procurarei corrigi-los.
além disso, se você tiver alguma sugestão de instituição a ser incluida, por favor deixe abaixo o seu comentário que procurarei, na medida do possível, atender a todos.
e, para servir de índice para os posts relativos à essas instituições, aqui vai a lista (que será atualizada à medida que novos posts forem acrescentados) com as publicações existentes neste blog e aquelas que estão sendo preparadas para postagem futura. não há nenhuma periodicidade certa ou ordenação nas publicações - elas serão postadas na medida em que ficarem prontas:
uk design council (reino unido)
us national design policy initiative (estados unidos)
apci agence pour la promotion de la création industrielle (frança)
ddi sociedad estatal para el desarrollo del diseño (espanha)
pbd programa brasileiro de design (brasil)
kidp korean institute of design promotion (coréia)
bidpo beijing industrial design promotion organization (china)
norskdesign norwegian design council (noruega)
marcadores:
instituições governamentais
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
um redesign no futuro dos estados unidos

o documento redesigning america's future está disponível no website da u.s. national design policy initiative. no mesmo website existem outros documentos importantes para serem consultados: o relatório do encontro e as apresentações, que ajudam a ter uma idéia melhor do que aconteceu nos dois dias do encontro (11 e 12 de novembro de 2008), em washington. além de outras referências, as discusões se basearam inicialmente em ao menos dois antigos documentos também citados no website: o primeiro sobre o federal design improvement program, de 1972, e o outro um artigo escrito em 1973 por neil kleinman para a revista print, que se intitula design and the federal government.
o encontro foi organizado pela dra. elizabeth (dori) tunstall, professora associada de antropologia do design na universidade de illinois em chicago (autora de um blog bem interessante, dori's moblog - vale a pena dar uma olhada).
isso tudo é curioso, porque me lembro bem que o assunto "porque os estados unidos não possuem uma política nacional de design?" foi trazido à discussão durante o forum internacional de políticas públicas de design que eu organizei durante brazil design week em setembro do ano passado no rio de janeiro. e também porque no mesmo mês de novembro, enquanto eles promoviam o encontro que resultou no documento citado acima, nós reunimos diversas associações nacionais em torno da criação do forum brasil design (como passou a se chamar o forum brasileiro de design - ver post anterior, de novembro de 2008), uma organização que certamente irá ajudar a promover o desenvolvimento de políticas nacionais e regionais de design no brasil. parece que estamos caminhando em sincronicidade com muitas outras iniciativas que acontecem ao redor do globo hoje. e é ótimo saber disso.
espero que apreciem todos os links para documentos importantes disponibilizados acima!
marcadores:
documentos,
eventos,
instituições governamentais
Assinar:
Postagens (Atom)
