estabelecer conexões entre políticas públicas de design no brasil e na europa faz parte da minha pesquisa de doutorado. uma pequena parte da pesquisa foi apresentada em outubro de 2011 no sexto congresso internacional de pesquisa em design - ciped 2011, em lisboa. trata-se mais de um exercício do que uma antecipação, afinal uma das exigências do doutorado é exatamente a produção de artigos tanto para conferências como para publicação em revistas acadêmicas.
este é portanto um desses exercícios. o texto integral, de minha autoria em conjunto com o professor simon bolton, pode ser encontrado aqui.
abaixo segue a apresentação feita durante o congresso:
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
regulamentação. um caso sério.
foi apresentado hoje, dia 18 de maio de 2011, na câmara dos deputados em brasília, o projeto de lei 1391/2011 que dispõe sobre o exercício profissional de design (ok, o projeto diz "de designer", mas diante de tantos problemas enfrentados até aqui, digamos que esse é um problema menor, que poderá - espero - ser corrigido a tempo). o projeto foi apresentado pelo deputado josé luiz penna (pv-sp) e pode ser encontrado no site do deputado.
para acompanhar a tramitação do projeto, cadastre-se no site da câmara dos deputados.
a adegraf colocou há algum tempo em seu site uma apresentação sobre regulamentação profissional. e eu mesmo já fiz um longo post sobre o assunto (regulamentação, ou design e o seu zé da venda), com diversos links e seguido por muitos comentários interessantes. e tem ainda dois excelentes textos, dos professores freddy van camp e mauro pinheiro. não deixem de ler!
a regulamentação profissional é apenas um passo num processo de reconhecimento pela sociedade da atividade de design. faz parte da cultura do nosso país regulamentar. então, sem regulamentação não há reconhecimento.
e por favor colegas - já discutimos essa questão há mais de trinta anos - é hora de nos unirmos em apoio ao projeto, que significará um grande avanço para a atividade de design no país. não é um projeto que traz vantagens pessoais, mas sim uma contribuição significativa para o efetivo reconhecimento da importância da atividade para a nossa sociedade.
vamos todos apoiar!
updates 1 e 2 (20.5.2011)
1. algumas considerações adicionais:
precisamos ter limites à nossa atividade, limites éticos, por exemplo, responsabilidade sobre a péssima qualidade de muitos projetos que vemos por aí que desabonam a atividade profissional.
para um empresário, especialmente para o pequeno empresário, uma primeira experiência ruim com um designer significa uma experiência ruim com o design como atividade, como solucionador de problemas.
regulamentação traz reconhecimento da sociedade, do governo, e de outros campos profissionais. reconhecimento e respeito. é lógico que isso não se faz somente através da regulamentação, mas esta é um passo importante nesse sentido, pelo qual debatemos e lutamos há trinta anos pelo menos.
2. esclarecimento:
somente hoje soube da origem e encaminhamento do projeto. afinal, como estou residindo fora do brasil, não tenho acompanhado de perto o assunto, apesar de fazer parte virtualmente, por skype, de uma comissão da abedesign que discute outros aspectos da regulamentação como classificação estatística, fiscal e trabalhista.
então, vale o esclarecimento: o encaminhamento deste projeto, feito pela associação de designers de produto, adp, através do ernesto harsi, faz parte da agenda discutida no forum design brasil, entidade que reune todas (ou a quase totalidade) das associações representativas do design no país. lá, discutiu-se que a adp, por já estar trabalhando nessa questão, continuaria a encaminhá-la. isso reforça o caráter de legitimidade e representatividade do projeto e, como o ernesto harsi lembrou, esta formatação do projeto foi discutida em associações profissionais e de estudantes. não havia possibilidade de discussão mais ampla do que essa. porque? porque não temos nenhum congresso ou encontro nacional que reúna a classe como um todo (do porte dos antigos endi - encontro nacional de desenho industrial); muito poucos dos nossos profissionais são membros regulares de alguma associação, que são a única forma organizada de representação da classe (nesse aspecto, os estudantes estão muito mais organizados e tem maior representatividade, a partir da organização dos ndesign e da forma de representatividade adotada). quero com isso dizer que a ampliação do debate - deste ou qualquer outro que intesse à classe - passa por cada um de nós: ou nos associamos, ou perdemos voz. e se não fizermos esse movimento, não teremos nenhuma, absolutamente nenhuma, legitimidade para protestar depois sobre o que foi feito pelas associações em nome da categoria. pois esse é exatamente o papel das associações - representar a categoria como um todo, e não apenas um pequeno grupo de associados.
por sinal, a adg colocou nota hoje no facebook e no website lembrando que o projeto é "fruto da discussão em um comitê onde participaram as principais associações no país."
em resumo, esse é o meu recado: faça sua parte antes que alguém faça por você e em seu nome - procure uma das associações profissionais e associe-se agora!
para acompanhar a tramitação do projeto, cadastre-se no site da câmara dos deputados.
a adegraf colocou há algum tempo em seu site uma apresentação sobre regulamentação profissional. e eu mesmo já fiz um longo post sobre o assunto (regulamentação, ou design e o seu zé da venda), com diversos links e seguido por muitos comentários interessantes. e tem ainda dois excelentes textos, dos professores freddy van camp e mauro pinheiro. não deixem de ler!
a regulamentação profissional é apenas um passo num processo de reconhecimento pela sociedade da atividade de design. faz parte da cultura do nosso país regulamentar. então, sem regulamentação não há reconhecimento.
e por favor colegas - já discutimos essa questão há mais de trinta anos - é hora de nos unirmos em apoio ao projeto, que significará um grande avanço para a atividade de design no país. não é um projeto que traz vantagens pessoais, mas sim uma contribuição significativa para o efetivo reconhecimento da importância da atividade para a nossa sociedade.
vamos todos apoiar!
updates 1 e 2 (20.5.2011)
1. algumas considerações adicionais:
precisamos ter limites à nossa atividade, limites éticos, por exemplo, responsabilidade sobre a péssima qualidade de muitos projetos que vemos por aí que desabonam a atividade profissional.
para um empresário, especialmente para o pequeno empresário, uma primeira experiência ruim com um designer significa uma experiência ruim com o design como atividade, como solucionador de problemas.
regulamentação traz reconhecimento da sociedade, do governo, e de outros campos profissionais. reconhecimento e respeito. é lógico que isso não se faz somente através da regulamentação, mas esta é um passo importante nesse sentido, pelo qual debatemos e lutamos há trinta anos pelo menos.
2. esclarecimento:
somente hoje soube da origem e encaminhamento do projeto. afinal, como estou residindo fora do brasil, não tenho acompanhado de perto o assunto, apesar de fazer parte virtualmente, por skype, de uma comissão da abedesign que discute outros aspectos da regulamentação como classificação estatística, fiscal e trabalhista.
então, vale o esclarecimento: o encaminhamento deste projeto, feito pela associação de designers de produto, adp, através do ernesto harsi, faz parte da agenda discutida no forum design brasil, entidade que reune todas (ou a quase totalidade) das associações representativas do design no país. lá, discutiu-se que a adp, por já estar trabalhando nessa questão, continuaria a encaminhá-la. isso reforça o caráter de legitimidade e representatividade do projeto e, como o ernesto harsi lembrou, esta formatação do projeto foi discutida em associações profissionais e de estudantes. não havia possibilidade de discussão mais ampla do que essa. porque? porque não temos nenhum congresso ou encontro nacional que reúna a classe como um todo (do porte dos antigos endi - encontro nacional de desenho industrial); muito poucos dos nossos profissionais são membros regulares de alguma associação, que são a única forma organizada de representação da classe (nesse aspecto, os estudantes estão muito mais organizados e tem maior representatividade, a partir da organização dos ndesign e da forma de representatividade adotada). quero com isso dizer que a ampliação do debate - deste ou qualquer outro que intesse à classe - passa por cada um de nós: ou nos associamos, ou perdemos voz. e se não fizermos esse movimento, não teremos nenhuma, absolutamente nenhuma, legitimidade para protestar depois sobre o que foi feito pelas associações em nome da categoria. pois esse é exatamente o papel das associações - representar a categoria como um todo, e não apenas um pequeno grupo de associados.
por sinal, a adg colocou nota hoje no facebook e no website lembrando que o projeto é "fruto da discussão em um comitê onde participaram as principais associações no país."
em resumo, esse é o meu recado: faça sua parte antes que alguém faça por você e em seu nome - procure uma das associações profissionais e associe-se agora!
domingo, 2 de janeiro de 2011
a história de dois logos
o primeiro: jogos olímpicos rio 2016

o logo para jogos olímpicos rio 2016 foi lançado durante a festa de dois milhões de pessoas no reveillon da praia de copacabana, no rio de janeiro. com design da tátil (uma das melhores empresas de design brasileiras), é consequência de um processo que começou há vários meses, numa concorrência promovida pelo comitê olímpico brasileiro com assessoria da associação de designers gráficos, adg brasil, da associação brasileira de empresas de design, abedesign, da associação brasileira das agências de propaganda, abap, e do conselho executivo de normas-padrão, cenp. o edital foi elaborado com base nas recomendações do icograda, conselho internacional de associações de design gráfico, e todo o processo foi supervisionado pela adg, com regras claras e justas. 139 agências de design participaram, das quais oito foram selecionadas e contratadas para desenvolver conceitos. o logo vencedor foi escolhido (e posteriormente desenvolvido para o lançamento) por um time de 15 pessoas que incluía representantes das instituições envolvidas e diversos experts. um processo transparente e bem gerenciado.
o resultado: conceitualmente bom, equilibrado, com desenvolvimento cuidadoso do lettering, inquestionavelmente um trabalho de alto profissionalismo, e que sugere um número de boas aplicações - inclusive uma belíssima versão tridimensional apresentada na festa de lançamento.
antes de ler sobre o próximo logo, assista os dois videos inspiradores abaixo - o lançamento oficial do logo e um documentário sobre o processo criativo:
o segundo: copa do mundo de futebol da fifa - brasil 2014

o logo da copa do mundo de futebol da fifa - brasil 2014 foi lançado no final da copa do mundo na áfrica do sul, em julho passado. no entanto, havia vazado para a imprensa há pelo menos dois meses - outro tropeço num processo bem menos transparente do que o da concorrência para a marca dos jogos olímpicos do rio.
inicialmente a mesma adg brasil foi convidada para assessorar o processo da concorrência, mas aparentemente se retirou por discordâncias nunca bem esclarecidas, obscurecidas por um acordo de confidencialidade. a marca final foi desenvolvida pela agência de publicidade que já atendia a fifa no brasil, a agência áfrica. de acordo com a fifa, outras sete empresas participaram da concorrência, mas nunca se soube quais novamente em virtude de acordos de confidencialidade. a escolha final ficou a cargo de uma "comissão de notáveis" composta pelo presidente da confederação brasileira de futebol, pelo secretário geral da fifa, pelo escritor paulo coelho, a cantora ivete sangalo, a top-model gisele bundchen, o arquiteto oscar niemeyer (aos 102 anos) e o designer pop-star "brasileiro" (nascido na alemanha) hans donner. sem dúvida não era um comitê com enfoque técnico.
o logo foi apresentado sob severas críticas, especialmente dos designers brasileiros, que se sentiram mal representados especialmente quando a qualidade do design brasileiro conquista espaços - e muitos prêmios - no mundo inteiro. foram apontados o desenho infantilizado, vários problemas construtivos, um péssimo lettering e até mesmo o uso desproporcional dos símbolos de marca registrada e copyright, todos considerados sinais claros de uma criação não-profissional. e a marca tornou-se conhecida como um rosto escondido pela palma da mão numa atitude envergonhada.
e qual a relação disso com políticas de design?
muito simples: concorrências públicas e licitações de design devem ser conduzidas por associações profissionais de designers, ou com seu contínuo assessoramento. existem regras claras e internacionalmente aceitas para gerenciar esses processos, desenvolvidas após décadas de experiência por instituições como o conselho internacional de associações de design gráfico, icograda, e o conselho internacional de sociedades de design industrial, icsid. ignorar isso expõe ao risco o processo e os resultados.
(versão em inglês deste post: www.designpolicies.com)

o logo para jogos olímpicos rio 2016 foi lançado durante a festa de dois milhões de pessoas no reveillon da praia de copacabana, no rio de janeiro. com design da tátil (uma das melhores empresas de design brasileiras), é consequência de um processo que começou há vários meses, numa concorrência promovida pelo comitê olímpico brasileiro com assessoria da associação de designers gráficos, adg brasil, da associação brasileira de empresas de design, abedesign, da associação brasileira das agências de propaganda, abap, e do conselho executivo de normas-padrão, cenp. o edital foi elaborado com base nas recomendações do icograda, conselho internacional de associações de design gráfico, e todo o processo foi supervisionado pela adg, com regras claras e justas. 139 agências de design participaram, das quais oito foram selecionadas e contratadas para desenvolver conceitos. o logo vencedor foi escolhido (e posteriormente desenvolvido para o lançamento) por um time de 15 pessoas que incluía representantes das instituições envolvidas e diversos experts. um processo transparente e bem gerenciado.
o resultado: conceitualmente bom, equilibrado, com desenvolvimento cuidadoso do lettering, inquestionavelmente um trabalho de alto profissionalismo, e que sugere um número de boas aplicações - inclusive uma belíssima versão tridimensional apresentada na festa de lançamento.
antes de ler sobre o próximo logo, assista os dois videos inspiradores abaixo - o lançamento oficial do logo e um documentário sobre o processo criativo:
o segundo: copa do mundo de futebol da fifa - brasil 2014

o logo da copa do mundo de futebol da fifa - brasil 2014 foi lançado no final da copa do mundo na áfrica do sul, em julho passado. no entanto, havia vazado para a imprensa há pelo menos dois meses - outro tropeço num processo bem menos transparente do que o da concorrência para a marca dos jogos olímpicos do rio.
inicialmente a mesma adg brasil foi convidada para assessorar o processo da concorrência, mas aparentemente se retirou por discordâncias nunca bem esclarecidas, obscurecidas por um acordo de confidencialidade. a marca final foi desenvolvida pela agência de publicidade que já atendia a fifa no brasil, a agência áfrica. de acordo com a fifa, outras sete empresas participaram da concorrência, mas nunca se soube quais novamente em virtude de acordos de confidencialidade. a escolha final ficou a cargo de uma "comissão de notáveis" composta pelo presidente da confederação brasileira de futebol, pelo secretário geral da fifa, pelo escritor paulo coelho, a cantora ivete sangalo, a top-model gisele bundchen, o arquiteto oscar niemeyer (aos 102 anos) e o designer pop-star "brasileiro" (nascido na alemanha) hans donner. sem dúvida não era um comitê com enfoque técnico.
o logo foi apresentado sob severas críticas, especialmente dos designers brasileiros, que se sentiram mal representados especialmente quando a qualidade do design brasileiro conquista espaços - e muitos prêmios - no mundo inteiro. foram apontados o desenho infantilizado, vários problemas construtivos, um péssimo lettering e até mesmo o uso desproporcional dos símbolos de marca registrada e copyright, todos considerados sinais claros de uma criação não-profissional. e a marca tornou-se conhecida como um rosto escondido pela palma da mão numa atitude envergonhada.
e qual a relação disso com políticas de design?
muito simples: concorrências públicas e licitações de design devem ser conduzidas por associações profissionais de designers, ou com seu contínuo assessoramento. existem regras claras e internacionalmente aceitas para gerenciar esses processos, desenvolvidas após décadas de experiência por instituições como o conselho internacional de associações de design gráfico, icograda, e o conselho internacional de sociedades de design industrial, icsid. ignorar isso expõe ao risco o processo e os resultados.
(versão em inglês deste post: www.designpolicies.com)
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
apoio ao design no rio de janeiro
a faperj, em conjunto com a firjan e o sebrae/rj, acaba de lançar edital de 2,7 milhões de reais para apoiar o desenvolvimento de design de produto e embalagens. é uma iniciativa que acredito ser inédita, que vem se somar aos esforços promovidos pelo estado do rio de janeiro para consolidar de uma cultura regional de design criativa e inovadora.
o estado tem uma capacidade instalada única de ensino e pesquisa, aliados a um mercado profissional altamente qualificado. no entanto, necessita ainda de melhor interagir com o interior, que tem um rico potencial a ser explorado com a contribuição do design.
são dez escolas de graduação; dois mestrados e um doutorado; laboratórios de pesquisa em design instalados na esdi e na puc; um extraordinariamente bem aparelhado laboratório da divisão de desenho industrial do int; o centro design rio e o centro carioca de design; e ainda os resultados cada vez melhores apresentados pelo setor profissional.
tudo isso, aliado ao desenvolvimento econômico (e social) do estado, nos permitem ter uma visão otimista neste final de ano.
que continue melhorando mais em 2011!
o estado tem uma capacidade instalada única de ensino e pesquisa, aliados a um mercado profissional altamente qualificado. no entanto, necessita ainda de melhor interagir com o interior, que tem um rico potencial a ser explorado com a contribuição do design.
são dez escolas de graduação; dois mestrados e um doutorado; laboratórios de pesquisa em design instalados na esdi e na puc; um extraordinariamente bem aparelhado laboratório da divisão de desenho industrial do int; o centro design rio e o centro carioca de design; e ainda os resultados cada vez melhores apresentados pelo setor profissional.
tudo isso, aliado ao desenvolvimento econômico (e social) do estado, nos permitem ter uma visão otimista neste final de ano.
que continue melhorando mais em 2011!
sábado, 11 de dezembro de 2010
políticas de design - entrevista ao garatuja digital
há poucas semanas, o rodrigo schoenacher me perguntou se eu poderia responder a algumas perguntas para o seu - excelente - blog garatuja digital. "apenas três perguntas" - disse ele - mas que me deram a oportunidade de discorrer um bocado, ainda que superficialmente, sobre o assunto que tenho pesquisado tanto no meu doutorado. com a autorização do rodrigo, reproduzo abaixo o conteúdo dessa entrevista:
1) você tem um blog chamado "políticas de design". poderia explicar um pouco mais o que significa o termo "políticas de design"?
na minha pesquisa me refiro a "políticas de design", ou melhor, "políticas públicas de design" como sendo princípios estabelecidos pelo governo para fazer uso do design como ferramenta estratégica de desenvolvimento social, econômico, industrial e regional. estas políticas são geralmente pública e explicitamente estabelecidas, para que possam ser conhecidas e acompanhadas na sua implementacão.
2) como você vê a atual situação das políticas relacionadas ao design no brasil em comparação a outros países?
o brasil tem uma aproximação recente e ainda esparsa nesta área. não temos, como alguns países, uma "política nacional de design", nem tampouco uma entidade articuladora de políticas públicas nos moldes do design council britânico ou do kidp da coréia do sul. ambos atuam com suporte direto do governo, e desenvolvem projetos, programas e ações de interesse do governo e da sociedade. ambos contam com equipes especializadas e bem montadas, parcerias com universidades, associações profissionais e empresas. o design council foi criado pelo governo do reino unido ainda durante a segunda guerra, em 1944, para promover o desenvolvimento da indústria britânica e impulsionar a economia quando acabasse a guerra. mas iniciativas neste sentido já se manifestavam desde o século dezenove, com as grandes feiras mundiais - especialmente a partir da exposição internacional de londres, em 1851. e organizações profissionais de designers surgiram no reino unido, nos estados unidos e em outros países ainda nas primeiras décadas do século vinte. assim, mesmo com golpes como a recente crise econômica, que fez com que o governo britânico cortasse o aporte direto de recursos para o design council (anunciado agora em outubro), este ainda consegue se articular para manter-se atuante e encontrar recursos para sobreviver.
no brasil, podemos falar de intenções pioneiras desde o final do século dezenove. no entanto foi nos anos cinquenta, nos estados de são paulo e rio de janeiro que foram feitas as primeiras iniciativas de trazer o design como era visto então na europa, através de cursos livres e workshops com designers de renome internacional. e no início dos anos sessenta o governo do recém criado estado da guanabara inaugurava a esdi, trazendo o design para dentro da universidade e pretendendo formar adequadamente os profissionais necessários para alavancar a indústria nacional. podemos falar que hoje temos na escala federal inserções ainda pequenas mas significativas no ministério do desenvolvimento - o programa brasileiro de design, e no ministério da cultura. e ainda alguns estados tem estabelecido mecanismos de colaboração continuada, como é o caso do grupo consultivo de design que assessora o governo do estado do rio de janeiro desde 2007, através da secretaria de desenvolvimento. a colaboração do segmento de design com o governo do rj já havia gerado, desde o início da década, o programa rio faz design, com exposições, premiação e outros pequenos eventos. o estado do paraná tem também oferecido suporte ao design, com o centro de design paraná, o mais ativo do país, e que tem oferecido apoio estratégico ao programa brasileiro de design.
ainda temos muito espaço para crescer, portanto, apesar de algumas importantes iniciativas estarem se sedimentando nos últimos anos. a bienal brasileira de design e a brazil design week são exemplos disso, e a iniciativa do fórum brasil design (reunindo todas as associações profissionais e acadêmicas brasileiras), trazem contribuições fundamentais. A bienal de design gráfico da adg e o salão design movelsul / casa brasil, em bento gonçalves, são iniciativas que já alcançam maturidade e projeção internacional, mostrando para a sociedade a importância do bom design. e temos um mercado editorial crescente, editando bons livros e boas revistas, apoiado na grande quantidade de escolas de design e profissionais atuantes. muitas outras iniciativas contribuem para promover o design no país, embora muitas vezes de forma cíclica e desconexa. mas falta ainda esse elemento articulador, que possa circular entre as iniciativas de origens variadas, formatando, planejando, estabelecendo equilíbrio e fazendo a ligação com as diversas instâncias de governo e da sociedade. e mecanismos de avaliação e controle de qualidade, pois o design desprovido de qualidade pode ser extremamente prejudicial. falo de qualidade no contexto internacional, num patamar que permita e facilite trocas comerciais, profissionais e acadêmicas. desprezar a qualidade pode significar hoje ficar exposto à exploração do mercado local por grandes empresas internacionais de design, por exemplo. e essa qualidade passa inevitavelmente pela formação. nossas escolas precisam se aperfeiçoar bastante para alcançar esse patamar. não adianta ficarmos iludidos que a criatividade brasileira supera tudo - ela é um elemento forte com o qual contamos, mas está longe de ser a solução única.
poderia dizer muito mais sobre o momento atual, que eu vejo como muito positivo, e sobre o futuro que acredito ser promissor, mas como esse é um dos tópicos da minha pesquisa, posso dizer que responderei melhor daqui a dois anos, em 40.000 palavras...
3) o que você acha que os profissionais e estudantes em design podem fazer em relação ao desenvolvimento dessas políticas em nosso país?
em primeiro lugar, se organizar de forma consistente nas associações existentes. se não dermos suporte às associações, não poderemos cobrar que a nossa atividade seja melhor reconhecida. e por falar em reconhecimento, a regulamentação profissional é, no contexto atual, uma necessidade. não dá para se acreditar que, no mar agitado das profissões regulamentadas, iremos sobreviver com um projeto inovador de desregulamentação. chega uma hora em que precisamos, apesar das opiniões diferentes, demonstrar união - senão nunca seremos considerados seriamente. dar suporte às associações significa filiar-se, pagar as taxas regularmente, e contribuir voluntariamente na gestão e nas atividades da sua associação. associações sem associados são cronicamente fracas. e cobrar das escolas uma melhora contínua na qualidade da formação profissional, inclusive a formação continuada, seja esta através de cursos rápidos, especializações, mestrados profissionalizantes. isso deve ser feito em sintonia com as necessidades do mercado regional e buscando apoio de empresas, federações comerciais e industriais, e do governo. se fizermos a nossa parte, poderemos cobrar do governo que faça melhor a parte dele também.
1) você tem um blog chamado "políticas de design". poderia explicar um pouco mais o que significa o termo "políticas de design"?
na minha pesquisa me refiro a "políticas de design", ou melhor, "políticas públicas de design" como sendo princípios estabelecidos pelo governo para fazer uso do design como ferramenta estratégica de desenvolvimento social, econômico, industrial e regional. estas políticas são geralmente pública e explicitamente estabelecidas, para que possam ser conhecidas e acompanhadas na sua implementacão.
2) como você vê a atual situação das políticas relacionadas ao design no brasil em comparação a outros países?
o brasil tem uma aproximação recente e ainda esparsa nesta área. não temos, como alguns países, uma "política nacional de design", nem tampouco uma entidade articuladora de políticas públicas nos moldes do design council britânico ou do kidp da coréia do sul. ambos atuam com suporte direto do governo, e desenvolvem projetos, programas e ações de interesse do governo e da sociedade. ambos contam com equipes especializadas e bem montadas, parcerias com universidades, associações profissionais e empresas. o design council foi criado pelo governo do reino unido ainda durante a segunda guerra, em 1944, para promover o desenvolvimento da indústria britânica e impulsionar a economia quando acabasse a guerra. mas iniciativas neste sentido já se manifestavam desde o século dezenove, com as grandes feiras mundiais - especialmente a partir da exposição internacional de londres, em 1851. e organizações profissionais de designers surgiram no reino unido, nos estados unidos e em outros países ainda nas primeiras décadas do século vinte. assim, mesmo com golpes como a recente crise econômica, que fez com que o governo britânico cortasse o aporte direto de recursos para o design council (anunciado agora em outubro), este ainda consegue se articular para manter-se atuante e encontrar recursos para sobreviver.
no brasil, podemos falar de intenções pioneiras desde o final do século dezenove. no entanto foi nos anos cinquenta, nos estados de são paulo e rio de janeiro que foram feitas as primeiras iniciativas de trazer o design como era visto então na europa, através de cursos livres e workshops com designers de renome internacional. e no início dos anos sessenta o governo do recém criado estado da guanabara inaugurava a esdi, trazendo o design para dentro da universidade e pretendendo formar adequadamente os profissionais necessários para alavancar a indústria nacional. podemos falar que hoje temos na escala federal inserções ainda pequenas mas significativas no ministério do desenvolvimento - o programa brasileiro de design, e no ministério da cultura. e ainda alguns estados tem estabelecido mecanismos de colaboração continuada, como é o caso do grupo consultivo de design que assessora o governo do estado do rio de janeiro desde 2007, através da secretaria de desenvolvimento. a colaboração do segmento de design com o governo do rj já havia gerado, desde o início da década, o programa rio faz design, com exposições, premiação e outros pequenos eventos. o estado do paraná tem também oferecido suporte ao design, com o centro de design paraná, o mais ativo do país, e que tem oferecido apoio estratégico ao programa brasileiro de design.
ainda temos muito espaço para crescer, portanto, apesar de algumas importantes iniciativas estarem se sedimentando nos últimos anos. a bienal brasileira de design e a brazil design week são exemplos disso, e a iniciativa do fórum brasil design (reunindo todas as associações profissionais e acadêmicas brasileiras), trazem contribuições fundamentais. A bienal de design gráfico da adg e o salão design movelsul / casa brasil, em bento gonçalves, são iniciativas que já alcançam maturidade e projeção internacional, mostrando para a sociedade a importância do bom design. e temos um mercado editorial crescente, editando bons livros e boas revistas, apoiado na grande quantidade de escolas de design e profissionais atuantes. muitas outras iniciativas contribuem para promover o design no país, embora muitas vezes de forma cíclica e desconexa. mas falta ainda esse elemento articulador, que possa circular entre as iniciativas de origens variadas, formatando, planejando, estabelecendo equilíbrio e fazendo a ligação com as diversas instâncias de governo e da sociedade. e mecanismos de avaliação e controle de qualidade, pois o design desprovido de qualidade pode ser extremamente prejudicial. falo de qualidade no contexto internacional, num patamar que permita e facilite trocas comerciais, profissionais e acadêmicas. desprezar a qualidade pode significar hoje ficar exposto à exploração do mercado local por grandes empresas internacionais de design, por exemplo. e essa qualidade passa inevitavelmente pela formação. nossas escolas precisam se aperfeiçoar bastante para alcançar esse patamar. não adianta ficarmos iludidos que a criatividade brasileira supera tudo - ela é um elemento forte com o qual contamos, mas está longe de ser a solução única.
poderia dizer muito mais sobre o momento atual, que eu vejo como muito positivo, e sobre o futuro que acredito ser promissor, mas como esse é um dos tópicos da minha pesquisa, posso dizer que responderei melhor daqui a dois anos, em 40.000 palavras...
3) o que você acha que os profissionais e estudantes em design podem fazer em relação ao desenvolvimento dessas políticas em nosso país?
em primeiro lugar, se organizar de forma consistente nas associações existentes. se não dermos suporte às associações, não poderemos cobrar que a nossa atividade seja melhor reconhecida. e por falar em reconhecimento, a regulamentação profissional é, no contexto atual, uma necessidade. não dá para se acreditar que, no mar agitado das profissões regulamentadas, iremos sobreviver com um projeto inovador de desregulamentação. chega uma hora em que precisamos, apesar das opiniões diferentes, demonstrar união - senão nunca seremos considerados seriamente. dar suporte às associações significa filiar-se, pagar as taxas regularmente, e contribuir voluntariamente na gestão e nas atividades da sua associação. associações sem associados são cronicamente fracas. e cobrar das escolas uma melhora contínua na qualidade da formação profissional, inclusive a formação continuada, seja esta através de cursos rápidos, especializações, mestrados profissionalizantes. isso deve ser feito em sintonia com as necessidades do mercado regional e buscando apoio de empresas, federações comerciais e industriais, e do governo. se fizermos a nossa parte, poderemos cobrar do governo que faça melhor a parte dele também.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
sobre biônica & design sustentável
no ano passado eu havia prometido postar aqui reproduções dos cartazes e convites de duas exposições que ajudei a organizar em dezembro de 1979 e janeiro de 1980, respectivamente. pois bem, finalmente achei esse material e processei as imagens (ver post de 08.04.2009 aqui). mas achei que devia fazer um post novo sobre isso, afinal o tema é atualíssimo, e é curioso ver o que se falava sobre isso há 30 anos.

a primeira exposição (acima), anunciada pela revista veja em dezembro de 1979, reunia trabalhos dos cursos de desenho industrial da esdi e da escola de belas artes da ufrj. os cartazes e convites já davam o tom: impressos em papel kraft na gráfica da esdi, usando composição tipográfica em tipos móveis e uma ilustração de uma "máquina voadora" que fazia referência a leonardo da vinci, de quem reproduziam a citação: "o pássaro é um instrumento que obedece a uma lei matemática, e o homem possui a capacidade de reproduzir esse instrumento e seus movimentos". a segunda exposição (abaixo) aconteceu na escola de artes visuais do parque lage, e foi a continuação da primeira, agora com a adesão de trabalhos do curso de design da puc-rio. talvez o clima do parque lage (aonde eu estagiava na época) tenha influenciado cartaz e convite, bem mais "radicais" do que os da exposição na esdi. enquanto os primeiros refletiam a racionalidade gráfica esdiana (ainda que interpretada por estudantes de primeiro ano...), os outros, manuscritos e rabiscados e serigrafia e xerox, continham textos de pablo neruda (última estrofe de aqui vivimos - estravagario) e lao-tsé (poema 11 do tao te ching) e uma estética "suja" identificada com a contracultura da época.
infelizmente eu não tenho registro dos projetos apresentados, exceto por umas raras imagens de uma gravação da tve (e do livro esdi: biografia de uma idéia), aonde fui entrevistado sobre dois trabalhos na mostra (fotos abaixo). mas estes dois projetos são bastante representativos da mostra e do que fazíamos e pensávamos naquela época. ambos os projetos foram desenvolvidos na esdi com orientação do professor roberto verschleisser, e dos grupos faziam parte claudio lamas, gil brito e carlos vargas (infelizmente não me lembro se havia mais alguém nos grupos de trabalho)


biônica & biomimética
o primeiro era um estudo de conector metálico baseado na articulação rotular da cabeça do fêmur. biônica pura, seguindo os ensinamentos transmitidos com paixão pelo professor verschleisser, que nos apresentou victor papanek, buckminster fuller, gui bonsiepe e tantos outros autores que fizeram nossa cabeça e ajudam, até hoje, a fundamentar nosso pensamento. aprender com a natureza, observar, estudar e desenvolver conceitos a partir de similares naturais entusiasmou a todos.

a primeira exposição (acima), anunciada pela revista veja em dezembro de 1979, reunia trabalhos dos cursos de desenho industrial da esdi e da escola de belas artes da ufrj. os cartazes e convites já davam o tom: impressos em papel kraft na gráfica da esdi, usando composição tipográfica em tipos móveis e uma ilustração de uma "máquina voadora" que fazia referência a leonardo da vinci, de quem reproduziam a citação: "o pássaro é um instrumento que obedece a uma lei matemática, e o homem possui a capacidade de reproduzir esse instrumento e seus movimentos". a segunda exposição (abaixo) aconteceu na escola de artes visuais do parque lage, e foi a continuação da primeira, agora com a adesão de trabalhos do curso de design da puc-rio. talvez o clima do parque lage (aonde eu estagiava na época) tenha influenciado cartaz e convite, bem mais "radicais" do que os da exposição na esdi. enquanto os primeiros refletiam a racionalidade gráfica esdiana (ainda que interpretada por estudantes de primeiro ano...), os outros, manuscritos e rabiscados e serigrafia e xerox, continham textos de pablo neruda (última estrofe de aqui vivimos - estravagario) e lao-tsé (poema 11 do tao te ching) e uma estética "suja" identificada com a contracultura da época.
infelizmente eu não tenho registro dos projetos apresentados, exceto por umas raras imagens de uma gravação da tve (e do livro esdi: biografia de uma idéia), aonde fui entrevistado sobre dois trabalhos na mostra (fotos abaixo). mas estes dois projetos são bastante representativos da mostra e do que fazíamos e pensávamos naquela época. ambos os projetos foram desenvolvidos na esdi com orientação do professor roberto verschleisser, e dos grupos faziam parte claudio lamas, gil brito e carlos vargas (infelizmente não me lembro se havia mais alguém nos grupos de trabalho)


biônica & biomimética
o primeiro era um estudo de conector metálico baseado na articulação rotular da cabeça do fêmur. biônica pura, seguindo os ensinamentos transmitidos com paixão pelo professor verschleisser, que nos apresentou victor papanek, buckminster fuller, gui bonsiepe e tantos outros autores que fizeram nossa cabeça e ajudam, até hoje, a fundamentar nosso pensamento. aprender com a natureza, observar, estudar e desenvolver conceitos a partir de similares naturais entusiasmou a todos.
há poucos dias li um post do fred gelli no blog da tátil design sobre biomimética - e lá estava todo o entusiasmo que ele (que também foi aluno do verschleisser) mantém sobre o assunto até hoje, inspirando criações premiadas do seu estúdio. vale conferir o trabalho da janine benyus citado pelo fred gelli, e seu livro biomimicry: innovation inspired by nature.

design sustentável: papanek x bonsiepe
o outro projeto, um silo octaédrico em lona plástica, suspenso numa estrutura tubular também octaédrica, que se apresentava como solução para armazenagem temporária de colheitas em áreas parcialmente alagadas.
este tipo de projeto encaixava-se no que gui bonsiepe (autor ávidamente consumido e adorado por nós, então jovens estudantes) definia como tecnologia apropriada, opondo-se ao conceito de tecnologia alternativa, apresentado por victor papanek no seu livro design para o mundo real (nosso livro de cabeceira). bonsiepe acreditava que os países em desenvolvimento deviam utilizar tecnologias que pudessem dominar facilmente, e passando sucessivamente a tecnologias mais sofisticadas. assim ele defendia a adoção incremental de novos conhecimentos, estimulando o desenvolvimento científico e industrial desses países. seu livro teoría y practica del diseño industrial dedica um capítulo a essa discussão: política tecnológica, diseño industrial y modelos de desarollo.
por sua vez, papanek defendia a recuperação de conhecimento local e soluções alternativas às tecnologias correntes, enfatizando a reciclagem e reprocessamento de materiais. a longo prazo, acredito que a visão de papanek manteria ou até mesmo aumentaria a distância entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando estes últimos mais dependentes de tudo que dissesse respeito à novas tecnologias, mantendo um processo estacionário de reprocessamento semi-artesanal do descarte industrial. me lembro que em 1980 todos fomos assistir victor papanek num seminário na puc-rio, e saímos um bocado decepcionados com sua visão que então percebemos paternalista e sua tentativa de afastamento das questões políticas que envolviam a américa do sul naquele período. isso não impede que seu último livro, publicado originalmente em 1995 - the green imperative - tenha se tornado referência para o pensamento do design sustentável.

design sustentável: papanek x bonsiepe
o outro projeto, um silo octaédrico em lona plástica, suspenso numa estrutura tubular também octaédrica, que se apresentava como solução para armazenagem temporária de colheitas em áreas parcialmente alagadas.
este tipo de projeto encaixava-se no que gui bonsiepe (autor ávidamente consumido e adorado por nós, então jovens estudantes) definia como tecnologia apropriada, opondo-se ao conceito de tecnologia alternativa, apresentado por victor papanek no seu livro design para o mundo real (nosso livro de cabeceira). bonsiepe acreditava que os países em desenvolvimento deviam utilizar tecnologias que pudessem dominar facilmente, e passando sucessivamente a tecnologias mais sofisticadas. assim ele defendia a adoção incremental de novos conhecimentos, estimulando o desenvolvimento científico e industrial desses países. seu livro teoría y practica del diseño industrial dedica um capítulo a essa discussão: política tecnológica, diseño industrial y modelos de desarollo.
por sua vez, papanek defendia a recuperação de conhecimento local e soluções alternativas às tecnologias correntes, enfatizando a reciclagem e reprocessamento de materiais. a longo prazo, acredito que a visão de papanek manteria ou até mesmo aumentaria a distância entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando estes últimos mais dependentes de tudo que dissesse respeito à novas tecnologias, mantendo um processo estacionário de reprocessamento semi-artesanal do descarte industrial. me lembro que em 1980 todos fomos assistir victor papanek num seminário na puc-rio, e saímos um bocado decepcionados com sua visão que então percebemos paternalista e sua tentativa de afastamento das questões políticas que envolviam a américa do sul naquele período. isso não impede que seu último livro, publicado originalmente em 1995 - the green imperative - tenha se tornado referência para o pensamento do design sustentável.
esta semana eu assistia um programa na bbc 2 (big ideas, com james may) aonde o apresentador, em uma viagem aos estados unidos para visitar experimentos de geração de energia não-fóssil, chega a uma comunidade alternativa estabelecida nos anos setenta. ali, um dos idealizadores explica que a idéia não é rejeitar novas tecnologias, nem o conforto moderno. a sua casa alternativa tem geladeira, microondas, internet e rede wi-fi. a questão é a auto-suficiência energética, tratamento de afluentes, aproveitamento racional e conservação de água, reciclagem, etc. um equilíbrio entre o apropriado e o alternativo, que sobrevive a mais de trinta anos de experimentação.
por último, já que falei do bonsiepe, a bedford press acaba de lançar um livrinho com suas reflexões sobre o potencial de atuação política do design: design and democracy. leitura obrigatória!
por último, já que falei do bonsiepe, a bedford press acaba de lançar um livrinho com suas reflexões sobre o potencial de atuação política do design: design and democracy. leitura obrigatória!
terça-feira, 13 de abril de 2010
se design é importante, cadê o design?

o cgee comitê gestor de estudos estratégicos acaba de divulgar (*) na edição de abril de 2010 do seu boletim, o lançamento de estudos feitos para a abdi sobre o segmento de madeira e móveis:
"o estudo liderado pelo cgee foi demandado pela agência brasileira de desenvolvimento industrial (abdi) e resultou na publicação do panorama setorial – madeira e móveis, volume de 202 páginas e estudo prospectivo – madeira e móveis, de 210 páginas." (leia a notícia completa aqui)
a notícia destaca, em vários pontos, a grande importância do design para que se possa atingir os objetivos do setor. só uma coisa incomoda: apesar disso, não há uma única entidade representativa do design brasileiro listada entre os participantes do comitê gestor do estudo, no final do texto...
não culpo o cgee ou a abdi pela falha, nem a excelente equipe que conduziu o estudo. no entanto, a falha precisa ser corrigida futuramente. acredito que isso seja consequência da fragmentação e enfraquecimento da representação da atividade no país, que nós tentamos combater com a criação do fórum brasil design. ou seja, precisamos reforçar ainda mais as nossas ações se quisermos ser ouvidos. até porque, com uma entidade representativa forte, podemos exigir ser ouvidos.
(*) detalhe curioso: aparentemente os estudos divulgados como novidade no boletim do cgee de abril de 2010 foram lançados no início de julho de 2009, portanto nove meses atrás, e estão disponíveis no site da abdi junto com outras publicações interessantes. vale a pena conhecer os estudos, muito bem elaborados e apresentados. (atenção: os arquivos pdf são bem grandes)
estudo prospectivo madeira e móveis (pdf 47mb)
panorama setorial madeira e móveis (pdf 30mb)
(a imagem das cadeiras foi retirada dos estudos acima)
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